Renan usará CPMF como 'tábua de salvação', diz especialista

David Fleischer diz que crise no Senado deve se resolver em 15 dias e 'gota d'água' foi o episódio da espionagem

Gisele Silva, do estadao.com.br,

10 de outubro de 2007 | 18h38

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), usará a CPMF para tentar se manter no cargo. A avaliação é do cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB). "Se Renan se sentir ameaçado, vai agarrar a CPMF como sua tábua de salvação. E vai tentar enterrar, atrasar, e dificultar a aprovação. A CPMF ficaria paciente e refém dele", afirmou.       Veja também:        Ouça entrevista com o David Fleischer   O projeto que prevê a prorrogação do imposto do cheque foi aprovado na Câmara na última terça-feira. E agora a medida segue ao Senado, onde o Executivo tem dificuldade em obter maioria e enfrenta impasse com a pressão de vários senadores para que Renan deixe o cargo.   Fleischer acredita que Renan será "removido" do cargo "quer ele queira quer não" e aposta que a crise no Senado será resolvida em até 15 dias. A gota d'água, segundo o cientista, foi o episódio de espionagem. Renan é acusado de montar um esquema para intimidar os senadores de oposição de Goiás, Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB).   Outro episódio que serviu para enfurecer os senadores, na avaliação de Fleischer, foi a publicação no Estado, na edição da última terça-feira, de reportagem, segundo a qual Renan teria mandado vasculhar a vida pública e privada dos senadores e levantar um dossiê em cima de cada um para usar como chantagem. "A raiva dos senadores é muito grande: 'mexeu conosco aqui dentro do Senado'", afirmou.   Fleischer compara a suposta espionagem ao episódio da violação do painel eletrônico durante a cassação de Luiz Estevão, em 2000, levou o então senador Antonio Carlos Magalhães a renunciar para não ser cassado e perder os direitos políticos.   "(Renan) extrapolou totalmente o chamado decoro parlamentar. É um delito de dentro do Senado. Não é como a cervejaria em Alagoas, não é como a empreiteira", afirmou citando as duas outras acusações contra o senador. A primeira é a de que teria beneficiado a Schincariol e a outra, a de que teve despesas pessoais pagas por um lobista. Sobre esta última, Renan foi inocentado no plenário.   Na última terça-feira, o episódio da suposta espionagem gerou a quinta representação contra Renan no Senado, protocolada pelo PSDB e DEM na Mesa Diretora. O Conselho de Ética tem três processos por quebra de decoro contra o senador. A segunda representação, que está paralisada a pedido do relator, é a da Schincariol. Renan é acusado de favorecer a cervejaria perante a Receita Federal e o INSS em troca da compra superfaturada de fábrica de refrigerantes de sua família.   A representação de número três, que trata da suposta compra de duas rádios e um jornal em Alagoas por intermédio de laranjas, tem como relator - escolhido nesta quarta - um adversário de Renan, o senador Jefferson Péres. O quarto pedido, que aponta suposta coleta de propina em ministérios do PMDB, teve seu relator definido na semana passada: será o senador Almeida Lima (PMDB-SE), da tropa de choque do presidente do Senado.    

Tudo o que sabemos sobre:
Renan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.