Renan trabalha para obter sua salvação no plenário

Para senador, é quase certa a aprovação no conselho do pedido de cassação de seu mandato

ROSA COSTA e ANA PAULA SCINOCCA, do Estadão,

03 de setembro de 2007 | 19h45

Convencido de que será derrotado nesta quarta-feira no Conselho de Ética, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já trabalha para garantir a derrubada no plenário do parecer que pede a cassação de seu mandato. De iniciativa dos relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), o parecer aponta oito procedimentos de Renan que caracterizariam quebra de decoro parlamentar.  Veja também: Em nova denúncia contra Renan, Tuma investigará JucáDenúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Cronologia do caso RenanEm semana decisiva, Renan pode enfrentar quarto processoNova denúncia: Renan tem de explicar propinas   A expectativa é que o relatório seja aprovado no conselho por 10 votos a 5, mesmo placar da última quinta-feira, quando o colegiado decidiu pela adoção do voto aberto. Renan não compareceu ao Senado nesta segunda-feira. Segundo seus assessores, ele ficou em casa dando telefonemas para os colegas.  A estratégia do peemedebista agora é convencer seus companheiros de Senado a absolvê-lo em votação no plenário. Neste acaso, o voto é secreto e o presidente do Senado deve contar, ainda, com o apoio de petistas fiéis ao comando do Planalto. A votação em plenário deve ocorrer na semana que vem. Mas, antes disso, o parecer aprovado no conselho deverá ser submetido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a fim de atestar a admissibilidade da representação.  Estratégia dos aliados Em vez de estimular as manobras, aliados de Renan afirmam que, agora, ele quer mesmo é apressar o processo para que chegue logo ao plenário. Os demais senadores também desejam o fim da enxurrada de denúncias contra Renan, pois avaliam que acima de tudo a imagem do Senado é que está arranhada. Os aliados de Renan abandonaram a idéia de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar o Conselho de Ética a apreciar o parecer sobre o peemedebista em votação sigilosa. Três pontos pesaram na decisão: a certeza de que o tribunal iria considerar tratar-se de uma questão interna, que deve ser resolvida pelo próprio Senado; o segundo ponto é que iria parecer tratar-se de mais uma manobra. Por fim, restou o temor de que o STF opinasse em defesa do voto aberto. Nova denúncia "Não pode haver mais nenhum rito protelatório", defendeu o senador Tião Viana (PT-AC). Primeiro vice-presidente do Senado, Tião vê com cautela a anunciada decisão de PSOL de representar novamente contra Renan Calheiros. Segundo ele, a nova representação (seria a quarta) - de que Renan teria sido favorecido por um esquema de arrecadação de propina nos ministérios comandados pelo PMDB - deve aguardar a votação da primeira apresentada contra Renan. "Senão, vamos abrir uma avalanche de denúncias", alegou. "Se é para investigar, que se abra uma CPI para investigar a tudo e a todos. É preciso uma organização do fluxo de denúncias." Três frentes de investigação Renan é investigado por suposta quebra de decoro em três processos diferentes. O primeiro deles, que será apreciado nesta quarta pelo Conselho de Ética, diz respeito à suspeita de que o peemedebista teria suas despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior.  A segunda representação refere-se à suspeita de que Renan teria favorecido politicamente a cervejaria Schincariol junto ao INSS e à Receita Federal após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerante pertencente a seu irmão, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). A terceira denúncia trata da parceria de Renan com o usineiro João Lyra na compra de um jornal diário e duas emissoras de rádio em nome de laranjas. Defesa O senador Wellington Salgado (PMDB-MG), aliado de Renan, prometeu "rebater" item por item o relatório de Casagrande e Marisa Serrano. "Foi criada uma imagem de que o senador Renan é um bandido. Isso é mentira", afirmou. Ele disse ainda que vai apresentar um voto em separado porque avalia que o parecer do relator Almeida Lima (PMDB-SE) "não é substancial como deveria ser". Também aliado de Renan, Lima defendeu o arquivamento da denúncia que ele atribui exclusivamente à perseguição da imprensa. 

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