'Renan téra de ir ao Conselho de Ética se explicar', diz Suplicy

Senador lança livro em São Paulo e fala sobre CPMF, terceiro mandato de Lula e fidelidade partidária

Andréia Sadi, do estadao.com.br,

30 Outubro 2007 | 09h12

Acusado por quebra de decoro parlamentar, o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), terá de ir ao Conselho de Ética. A afirmação foi feita pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), durante debate no lançamento do seu novo livro, Um Notável Aprendizado - A Busca da Verdade e da Justiça do Boxe ao Senado, nesta segunda-feira, 29.   Mediado pelo jornalista Heródoto Barbeiro e em tom descontraído, o debate contou com a presença do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) e transcorreu os principais temas da política atual, como o caso Renan e a prorrogação da CPMF.  Suplicy deixou claro que não concordou com a absolvição da primeira denúncia contra Renan, mas disse que o episódio ajudou a votar temas importantes para a sociedade.   "Na véspera do dia 12 (quando Renan foi absolvido), fui ao gabinete dele, para conversar em particular, e aí tive certeza que houve quebra de decoro, mas cada caso é um caso, ainda há cinco tramitando. Depois da absolvição, conseguimos votar o fim da sessão secreta e estamos estudando o fim do voto secreto também. Por mim, o voto sempre seria aberto."   Bem-humorado, Ciro Gomes arrancou risos da platéia quando chamou a jornalista Mônica Veloso, pivô do primeiro processo contra Renan, de "cidadã", mas logo em seguida, pediu silêncio. "Peço, por favor, que vocês não dêem risada disso. Ela é, sim, cidadã, como nós. Esse episódio envolvendo Renan me constrange."   Para Ciro, o presidente licenciado não deveria ser julgado pelos próprios senadores. "A impressão que eu tenho é que quem é aliado do Renan não leu sua acusação e quem é oposição, não leu a sua defesa."   Perguntado pelo jornalista Heródoto Barbeiro sobre como recuperar a imagem do Senado, abalada com as recentes crises, Suplicy descartou a criação de uma única instituição, como um sistema unicameral, e lembrou a saída dos senadores Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por suposta ordem do presidente licenciado, como agravante à perda de credibilidade da Casa. "Lembro que, quando soube da expulsão dos dois, eu disse a colegas: 'Isso vai enfraquecer mais o Senado'." Os senadores Simon e Vasconcelos são considerados da ala radical do PMDB.   Ciro comparou ainda o caso Renan e a denúncia envolvendo o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e homem forte do governo Lula. Também criticou a imprensa: "Mesmo se ele for inocente, ele já foi condenado pela opinião pública. A mídia vai falar: 'O Ciro defendeu o Dirceu durante o debate'. Que se exploda, o homem precisa ter seu direito de defesa", disse o deputado, arrancando aplausos dos presentes.   CPMF e 3º mandato   Suplicy e Ciro descartaram a reeleição do presidente Lula, em um eventual terceiro mandato. Para ambos, um terceiro mandato é "quase impossível". "Reeleição do Lula vai contra tudo que o PT e a gente acredita", disse Suplicy. "Duvido que, caso houvesse algum tipo de emenda, ela passaria no Congresso Nacional", completou Ciro.   Sobre a CPMF, Suplicy deixou claro que votará a favor. "Eu não tenho porque esconder, votarei a favor da prorrogação."   Ciro fez uma defesa do tributo, caso a emenda 29 que destina mais recursos para a saúde seja aprovada. "Se aumentam os gastos com a saúde, quem paga? Precisa do dinheiro."   Já sobre a fidelidade partidária, Ciro foi menos enfático. "Duvido que ela passe na Câmara dos Deputados." Aprovada no STF, tanto para cargos majoritários como para deputados e vereadores, a fidelidade estipula que o mandato pertence ao partido e não ao parlamentar.   Bastidores   Filha do deputado Ciro com a senadora Patrícia Saboya, Lívia, de 23 anos, dividiu os holofotes com o pai durante o evento. Diversas vezes Ciro fez referência à filha, que estava na platéia. "Desculpem-me, mas estou explicando a reforma tributária dessa forma simples para a minha filha entender", disse, apontando para Lívia.   O cantor Supla, filho de Suplicy e da ministra Marta Suplicy, também foi alvo dos fotógrafos, mas os elogios ficaram por conta do neto do senador. Com o neto no colo, Suplicy tirou as primeiras fotos e, em seguida, começou a  noite de autógrafos.   O livro de Suplicy fala sobre os episódios mais recentes da política, corrupção, o caso dos boxeadores cubanos, tudo do ponto de vista do senador.   Texto atualizado às 18 horas

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