Renan tenta se reaproximar do DEM e do PSDB para ficar na presidência

Logo depois da votação que garantiu a preservação de seu mandato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começou a telefonar para líderes de partidos de oposição. A idéia era iniciar um processo de reaproximação com setores que defenderam sua cassação, como DEM e PSDB. Com isso, ele espera viabilizar politicamente sua permanência na presidência do Senado.A primeira tentativa de Renan, contudo, não deu certo. Depois de ligar sem sucesso três vezes para o telefone celular do líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), o peemedebista procurou um contato telefônico direto com seu gabinete, por volta das 19h30 de quarta-feira. Mas a conversa não durou sequer um minuto."A gente precisa conversar, para a coisa ficar mais calma, para o trabalho voltar", apelou ele. "Não, o momento está muito tumultuado. As coisas estão sem condição", repeliu Agripino. Renan insistiu: "Precisamos mesmo conversar para o clima ficar melhor." Foi novamente rechaçado: "Está muito tumultuado, muito confuso. Esse assunto precisa ser resolvido antes", disse o líder do DEM. O peemedebistas não se deu por vencido: "Mas a gente precisa se encontrar, conversar."Diante da persistência, Agripino avisou que teria reunião no dia seguinte com os partidos de oposição no Senado, para discutir a questão de sua absolvição e sua permanência no comando da Casa. "Vou me encontrar com o PSDB para discutir esse assunto e lhe comunicarei o que decidirmos", afirmou. "Então, até logo e um abraço", disse Renan, encerrando a ligação.TERCEIRO TURNOO líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), também foi procurado, mas nem sequer atendeu ao telefonema do presidente do Senado. Quando soube que Renan comparara a votação do plenário a um terceiro turno da disputa pela presidência do Senado, fez questão de frisar que não há, na oposição, sentimento de revanchismo."Apelo a Renan para que tenha um gesto de grandeza e governabilidade. Em nome da instituição Senado, que inclusive o prestigiou na votação de ontem (anteontem), que ele renuncie à presidência", disse Virgílio. "Até em homenagem aos que o prestigiaram três vezes, quando o elegeram e o absolveram, ele deveria renunciar."No fim da tarde de ontem, Agripino ocupou a tribuna do Senado para confirmar a conversa por telefone com Renan e dizer que usaria o discurso para informá-lo das decisões tomadas pela oposição - de dificultar a tramitação de propostas de interesse do governo e de não mais participar de reunião de líderes que tenham sua presença. Ou seja, que não aceitavam sua manutenção no comando dos trabalhos da Casa. "Ou Renan sai, ou o Senado não funcionará", afirmou.

Marcelo de Moraes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2014 | 00h00

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