Renan se encontrará com Lula para discutir licença

Planalto quer o Senado sob o comando de Tião Viana para aprovar a prorrogação da CPMF

17 Setembro 2007 | 11h21

Mesmo tendo sido absolvido na semana passada, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), ainda passa por algumas batalhas nesta semana. Na terça-feira, 18, Renan vai se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para decidir seu futuro. O Planalto quer que o senador peça licença, deixando o Senado sob o comando do primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC), e assim baixar a temperatura da crise e conseguir a votação da prorrogação da CPMF.   Também na terça-feira, o relator do segundo processo contra Renan no Conselho de Ética, João Pedro (PT-AM), decide se pedirá o arquivamento ou segue a ação que acusa Renan de ter beneficiado à cervejaria Schincariol. João Pedro já sinalizou ser a favor do arquivamento. Em entrevista divulgada pela Rádio CBN, ele afirmou que existem poucos elementos no caso. Ele disse também que produziu seu relatório apenas com base na representação do PSOL, na matéria da revista Veja que denunciou o caso e na defesa de Renan.   Veja também:   Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado O relator não pediu perícias à Receita Federal ou tomou depoimentos de representantes da Schincariol. Entretanto, ele afirmou que não descarta que o Conselho de Ética peça uma investigação mais profunda. João Pedro disse também que seu relatório será conclusivo e vai apontar se Renan cometeu ou não quebra de decoro parlamentar.   Este é o segundo processo contra Renan Calheiros no Conselho de Ética. Desta vez, o senador é acusado de atuar politicamente em favor da Schincariol para reduzir multas impostas à cervejaria no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e na Receita Federal. Na quarta-feira, o presidente do Senado foi absolvido pelo plenário da Casa do primeiro processo que pesava sobre ele, acusado de ter despesas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Entre as despesas, pensão e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha fora do casamento.   No terceiro processo no Conselho de Ética, Renan responde por suposto uso de laranjas na compra de duas emissoras de rádio em Alagoas. Além disso, ele também foi acusado de ter participado de um esquema de recebimento de propina, com a participação de integrantes do PMDB.   O senador Gerson Camata (PMDB-ES) disse, em entrevista à Rádio Jovem Pan, nesta segunda-feira, 17, que irá apresentar requerimento de abertura de uma CPI para investigar o presidente da Casa. Camata disse que já possui mais do que as 27 assinaturas necessárias para a instalação da CPI.   Renan passou o fim-de-semana em Alagoas. A cidade natal do senador, Murici, preparou uma festa de aniversário, mas Renan não apareceu.   Favores   Foi à base de favores que Renan conseguiu boa parte dos 46 votos para sua absolvição no processo por quebra de decoro parlamentar. Alguns desses favores são muito pequenos, difíceis até de acreditar que ocorram no Senado - como vista grossa para o gasto a mais de algumas resmas de papel ou manifestação da solidariedade masculina na autorização para a viagem ao exterior de senadores interessados em levar consigo alguém muito especial.   Na extensa lista de ajudinhas tem ainda transferência de funcionários do Estado de origem do senador para Brasília, contratação de parentes, gabinetes amplos, escolha de apartamento funcional em bom estado ou virado para o nascente, troca do velho carro oficial por um novinho e até o estouro na cota de combustível. Coisas que seriam comuns em uma Câmara de vereadores do interior são largamente usadas no plano federal e concentradas na mão de um único homem. Tudo isso somado à influência sobre ministérios, bancadas e governo.   Pela natureza do cargo, o presidente do Senado é uma pessoa poderosa do ponto de vista institucional. É sempre cortejado pelo Planalto, nomeia ministros e dirigentes de estatais e é o segundo na linha sucessória do presidente da República.   Ao presidente do Senado cabe ainda ordenar projetos que vão entrar na pauta, retardar o início de CPI, transformar sessão pública em secreta, impugnar projetos que considerar ilegais, desempatar votações e assinar correspondências do Senado ao presidente da República, governadores, tribunais superiores, assembléias legislativas e Tribunal de Contas de União.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.