Renan se diz 'impedido' e Senado decidirá sobre perícia

Manobra para atrasar investigações perde força e Mesa encaminhará pedido de análise de documentos à PF

Rosa Costa e Eugênia Lopes, do Estadão,

17 de julho de 2007 | 07h48

Ensaiada nos últimos dias, a manobra para atrasar o aprofundamento das investigações contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), perdeu força. Nesta terça-feira, 17, a Mesa Diretora do Senado se reúne para decidir sobre o envio à Polícia Federal de pedido de perícia detalhada nos documentos apresentados por Renan para comprovar ganhos de R$ 1,9 milhão com a venda de gado nos últimos quatro anos.            Veja também:    Entenda o caso Renan Renan vira até 'corretor' de gabinete para salvar o mandato Renan enfrenta mais um teste e Planalto observa aliado   Renan é acusado de ter despesas pessoais pagas por lobista de empreiteira. Um mês e meio depois que estourou o escândalo, Renan decidiu finalmente se considerar formalmente impedido de qualquer iniciativa relacionada a seu processo por suposta falta de decoro parlamentar.   Num movimento que sinalizou um recuo no uso de seu arsenal de intervenções, Renan enviou na segunda ao presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), ofício em que pede que "qualquer expediente" relacionado ao caso seja encaminhado ao primeiro vice-presidente da Casa, senador Tião Viana (PT-AC). Ao mesmo tempo, disparou telefonemas para integrantes da Mesa Diretoria garantindo que não há manobra para adiar mais uma vez o seu processo.   Na última quinta-feira, Renan surpreendeu aliados e oposição ao remarcar para hoje a reunião da Mesa. Ele alegou que precisava dar tempo para seus advogados e do PSOL, autor da representação ao Conselho de Ética, tomarem conhecimento do pedido à PF. Em represália, a oposição abandonou o plenário. Ontem, o líder do Democrata, senador José Agripino (RN), voltou a ameaçar boicotar as votações, caso Renan Calheiros articulasse alguma manobra protelatória na reunião da Mesa, como um eventual pedido de vistas (mais prazo para analisar o caso) encomendado a um aliado do presidente.   "Se houver pedido de vistas terá sido orientação do Palácio do Planalto. Não vamos aceitar isso. Em nome da credibilidade do Senado, não vamos aceitar votar nada sobre a presidência de Renan Calheiros. Vamos nos retirar do plenário", disse Agripino. O senador Magno Malta (PTB-ES), quarto secretário da Mesa do Senado, negou ontem que tenha feito qualquer articulação para favorecer o presidente do Senado. "Jamais pediria vistas ao processo", garantiu.   O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio Neto (AM), divulgou nota alertando que o partido "estará vigilante e confiante em que será resgatado, ainda que com juros de mora políticos, o acordo da semana passada, para que sejam repassados à Polícia Federal os elementos necessários à investigação dos documentos apresentados pela defesa". Na nota, o tucano afirmou que quer que o processo contra Renan tenha andamento. "Quem espera firmeza, não decepcionará com os senadores do PSDB e a oposição", disse.   Passada a reunião da Mesa, Renan Calheiros vai estudar com seus advogados entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o processo aberto no Conselho de Ética. Reservadamente, ele cogita alegar que, como parlamentar, só pode ser investigado pelo Judiciário. "Se houver algo contra a lei e que prejudique o Renan, ele que entre na Justiça", observou o senador Papaléo Paes (PSDB-AP), que ocupa o cargo de primeiro suplente da Mesa. De público, Renan nega o recurso. "Não estou pensando em fazer isso", disse na segunda-feira.

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