Renan responde Alves e diz que não repetirá 'erros' da Câmara

Senador rebate críticas do presidente da Câmara sobre 'jogo de empurra' para fim do voto secreto e cobra agilidade da Casa

Débora Álvares - O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2013 | 13h17

Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), alfinetou nesta quarta-feira, 13, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmando que o Senado não vai repetir "os erros que o Henrique cometeu na Câmara". Calheiros classificou como "errática" a declaração dada por Alves de que há um "jogo de empurra" entre as Casas na questão do voto secreto.

"Quando as coisas andam numa Casa e não andam na outra, fica com o bicameralismo descompensado. Isso precisa ser resolvido, e não dar esse tipo de declaração de que está havendo empurra. Não é isso. É uma declaração errática", disse Renan. O senador também reclamou da demora da Câmara em votar propostas aprovadas no Senado, situação que, em sua visão, "deteriora o processo legislativo". Segundo ele, o contrário ocorre de forma quase automática. "Acho que falta à Câmara fazer o que o Senado faz. Tudo o que a Câmara vota, o Senado vota quase imediatamente".

Henrique Alves retomou a discussão sobre o voto aberto motivado pela retomada do julgamento dos recursos do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quarta, a Corte pode decretar a prisão de quatro deputados - João Paulo Cunha (PT-SP), José Genoino (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). A decisão reacende o debate sobre a quem cabe a palavra final para cassação de mandatos. Na Câmara, esse processo é decidido em votação secreta.

Alves voltou a dizer nessa terça, 12, que não colocará mais processos de cassação em votação fechada. Renan, contudo, é mais duro na avaliação do futuro político dos condenados. "Depois que o julgamento transitar em julgado, não tem sentido repetir aqui a votação. O direito político já está cassado", afirmou.

O impasse entre os presidentes se deve a duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que tratam de voto aberto atualmente em tramitação no Congresso. Uma, já votada no Senado, abre votações em casos de cassação, mas a Câmara ainda não apreciou a proposta. Alguns deputados se negam a aceitar votar esse texto porque dizem já ter aprovado uma outra PEC que abre votos em todos os casos em que hoje ele é secreto. Essa última proposta está parada no Senado há mais de um mês e deve ser discutida nesta quarta no plenário.

O presidente cobrou a votação pelos deputados de alguns projetos como o que torna corrupção crime hediondo, a regulamentação dos direitos dos empregados domésticos, e do direito de resposta. Questionado se falta sintonia entre as duas Casas ou má vontade por parte da Câmara, Renan desconversou.

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