Renan resiste à renúncia, mas base já discute possível sucessor

Aliados do governo sondam Gerson Camata, mas oposição quer Jarbas Vasconcelos

09 de agosto de 2007 | 02h18

O desgaste do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), continua minando a sua rede de apoio político, a ponto de a base governista já negociar, nos bastidores, nomes para substituí-lo. Gerson Camata (ES) é o preferido dos aliados do presidente Lula, mas a oposição, atenta ao flanco aberto, articula o lançamento de Jarbas Vasconcelos (PE). Os dois também são do PMDB, mas de alas opostas.  Veja também: Cronologia do caso Renan    Renan diz que é 'chefe' do Senado e que Lula não cobra nadaConcessão de rádio foi dada quando Renan já era processado'Nada tenho a temer, nada tenho a esconder', diz Renan no Senado  Agripino, líder do DEM, cobra saída de Renan da presidência  Renan reage a pedido de Agripino, líder do DEM  Veja especial sobre o caso Renan  Resistindo às pressões pela renúncia, Renan tenta demonstrar firmeza e diz contar com apoio do "amigo" Lula. Ele destaca que a quebra de sigilo fiscal e bancário será a oportunidade para, de uma vez por todas, provar a inocência. E frisa que não se impressiona com as ameaças da oposição de obstruir as votações enquanto ele for presidente da Casa: "Não temo absolutamente nada. Só temo a Deus." Pela segunda vez em seu tour na América Central, Lula defendeu o aliado. Da Nicarágua, relatou ter telefonado para Renan e destacou que é preciso aguardar o fim dos processos no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Conselho de Ética. "Todo brasileiro, os 190 milhões, terá meu apoio, porque todos são inocentes até que se prove o contrário", frisou. O presidente cobra uma solução rápida para o caso. Com Renan no centro dos holofotes, alvo de novas denúncias, o Congresso autorizou a renovação por dez anos da concessão da JR Rádio Difusão, de Alagoas, que está em nome de três pessoas, incluindo um filho do senador. O cacique é justamente acusado de usar laranjas na compra de duas emissoras. Em entrevista ao Estado, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) elevou o tom: "Creio que é hora de uma ação mais enérgica."

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