Renan renova licença até o fim de dezembro

Antecipação do anúncio, que seria feito amanhã, foi recado ao presidente interino do Senado e serviu para mostrar boa vontade com o Planalto

Christiane Samarco e Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2007 | 00h00

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) renovou ontem, até 29 de dezembro, a licença da presidência do Senado que venceria na próxima segunda-feira. A decisão de antecipar o anúncio da renovação, que o próprio Renan havia programado para amanhã, teve objetivo duplo. Primeiro, mostrar boa vontade com o Palácio do Planalto, 24 horas depois de ter ameaçado voltar ao comando do Senado e tumultuar a votação da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Além disso, serviu para "acalmar" o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), que tinha a expectativa de virar o ano no cargo.Renan fez o "gesto pacificador" a conselho de um líder governista e do senador José Sarney (PMDB-AP). O líder alertou que não era hora de confrontar com o Planalto, mesmo porque Renan já fizera a advertência de que "está no jogo e pode melar a votação da CPMF a qualquer momento".Sarney entrou em ação assim que tomou conhecimento das declarações de Viana ontem de manhã, protestando contra a especulação sobre a volta de Renan à presidência e sugerindo que "se dane" quem estiver "aborrecido com o bom cumprimento do regimento". Em telefonema ao amigo, Sarney foi direto ao ponto: "Estranhei as declarações do Tião. Você precisa acalmá-lo."O conselho foi seguido à risca. Afinal, o presidente interino é quem faz a pauta do plenário e define a data de votação do processo de cassação do titular licenciado. Renan não só apressou a nota oficial, comunicando a prorrogação da licença por mais 35 dias, como fez questão de desembarcar no plenário, no meio da tarde, distribuindo elogios ao substituto."A conduta do Tião tem sido impecável do ponto de vista da isenção. Eu tenho total e absoluta confiança nele", declarou o peemedebista, ao destacar que os dois haviam trocado "cinco ou seis telefonemas" na véspera e que ontem se falaram "novamente e bastante". Insistiu, também, em que acatará "com serenidade" qualquer data que o Senado definir para seu julgamento. "Qualquer data está bom."Indagado sobre sua disposição em ajudar o governo a aprovar a CPMF, Renan apressou-se em dizer que a tarefa não é dele, e que renovara a licença para se dedicar à sua defesa, como tem feito nos últimos 40 dias. "As articulações em torno de qualquer matéria legislativa é da atribuição dos líderes do governo e dos partidos", disse. "Não dá para misturar o juízo político que o Senado vai fazer do meu processo, a partir da leitura dos autos, com a prorrogação de uma contribuição."O senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, confirmou que apresentará à Comissão de Constituição e Justiça na próxima quarta-feira o seu parecer favorável ao processo do Conselho de Ética contra Renan. Mas lembrou que a votação pode ser adiada se houver pedido de vistas. Se isso acontecer, a votação em plenário, prevista para 4 de dezembro, também pode ser adiada.

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