Renan pede licença de dez dias por motivo de saúde

Havia expectativa de que ele voltasse hoje para tentar negociar mandato

Ana Paula Scinocca, Christiane Samarco e Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2007 | 00h00

Depois de tirar licença de 45 dias da presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) pediu ontem afastamento por 10 dias do mandato, por motivo de saúde. A licença, para fazer exames médicos de rotina, não será somada aos 45 dias. Veja especial sobre o caso RenanDesde dia 11, quando se afastou da presidência, Renan não aparece no Senado. Havia a expectativa de que voltasse hoje para, mais de perto, tentar negociar com colegas a manutenção de seu mandato. A licença da presidência não o tirou dos holofotes - as investigações continuam e o PSOL entrou com a sexta representação contra ele.Agora, Renan deve ganhar fôlego e tempo para negociar a preservação do mandato. Seu aliado, o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), disse que a licença médica pode prejudicar o andamento dos processos, pois poderia dificultar a notificação de Renan para apresentar defesa. "E poderíamos ter, ainda, alguma dificuldade para fazer a notificação dos novos processos", declarou Quintanilha.DISPUTAO afastamento de Renan desencadeou uma luta sucessória no Senado. O nome mais forte do PMDB para a presidência hoje é o de José Maranhão (PB), que preside a Comissão Mista de Orçamento. Como líderes da oposição se articulam desde a semana passada em torno de uma lista de cinco peemedebistas, a cúpula do partido decidiu entrar no jogo em favor de Maranhão.Consultado pelo líder tucano, Arthur Virgílio Neto (AM), Maranhão pediu para ficar fora da lista, alegando que espera decisão judicial que pode cassar o governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e levá-lo de volta ao governo da Paraíba, já que foi o segundo colocado na eleição."Estou à frente da Comissão de Orçamento e gostaria de concluir este trabalho", contou Maranhão ontem. Ele confirmou que está na expectativa de que a Justiça julgue o processo contra Cunha Lima e disse estar "fora da disputa" do Senado.Para um dirigente peemedebista ligado a Renan e ao senador José Sarney (AP), porém, a negativa é jogo de cena. Diz que Maranhão aguarda apenas que seu nome seja trabalhado dentro e fora da bancada, para que surja como solução de consenso. Afinal, completa, não há outra opção que agrade ao grupo de Renan e Sarney, e transite bem no Planalto e na oposição.Os outros nomes do PMDB cogitados pela oposição são Garibaldi Alves (RN), Gerson Camata (ES), Pedro Simon (RS) e o ministro das Comunicações, senador Hélio Costa (MG), que já admitiu voltar à Casa. Nenhum deles, no entanto, desponta como solução natural nem tampouco tem o apoio do grupo ligado a Renan e Sarney.Costa é alvo de críticas das bancadas do PMDB, que se queixam de que ele "ignora" seus pedidos. Garibaldi era velho amigo de Sarney, mas desentendeu-se com seu grupo quando aderiu ao movimento dos rebeldes do PMDB e derrubou a medida provisória que criava a Secretaria de Ações de Longo Prazo.

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