Renan faz governo perder no Senado

Rebelião impediu criação da secretaria de Mangabeira e ainda levará à extinção de 626 cargos de confiança

Rosa Costa, Cida Fontes, Vera Rosa, Ana Paula Scinocca e Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

27 Setembro 2007 | 00h00

Com o consentimento de Renan Calheiros (PMDB-AL), a maioria absoluta da bancada peemedebista do Senado deu ontem uma prova de força ao governo. Aliando-se à oposição, o PMDB e Renan derrubaram, por 46 votos a 22 votos, a Medida Provisória 377 que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo da Presidência. A rebelião do principal aliado do Planalto constrange o ministro indicado para o órgão, o filósofo Roberto Mangabeira Unger, além de extinguir 626 cargos de confiança e 34 funções gratificadas.A rejeição da MP serviu, ainda, para o presidente do Senado, Renan Calheiros, mandar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o recado de que não aceitará o recuo dos petistas nas votações para livrá-lo da perda do mandato. A outra mensagem do partido ao Planalto é a de que tem votos suficientes para não ser preterido por petistas na indicação de cargos, como os da Petrobrás, na negociação pela prorrogação da CPMF."É incompreensível que um partido da base aliada tome essa decisão. O único fator que pode levar o PMDB a essa situação é a crise que atinge Renan", afirmou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), sem esconder a irritação com o presidente do Senado. "Isso é injustificável."A indicação do candidato derrotado ao Senado, José Eduardo Dutra, para a presidência da BR Distribuidora foi apontada pelos peemedebistas como a gota d''''água da insatisfação peemedebista do Senado no loteamento da máquina pública. Dutra deixou a presidência da Petrobrás para disputar e perder as eleições. No PMDB, só votaram a favor da MP os senadores José Sarney (AP), Roseana Sarney (MA) e Romero Jucá (RR), líder do governo na Casa.Sem a secretaria de Mangabeira, o governo tem uma economia este ano de R$ 25,6 milhões com a extinção dos cargos e de R$ 43,9 milhões nos anos subseqüentes. Esses cargos têm remuneração de R$ 10,44 mil a R$ 1,97 mil. Pela lei, somente no ano que vem é que o governo poderá propor novamente a criação da secretaria, instituída há três meses.Fora Mercadante, os demais petistas, inclusive a líder Ideli Salvatti (SC), não se mostraram desolados pela forma como Mangabeira deixará de ser ministro - ele pode ficar no governo, mas sem esse status. Ele declarou, na época do mensalão, que o governo Lula era "o mais corrupto da história".O Palácio do Planalto foi surpreendido ontem à noite com a rebelião dos senadores do PMDB. Quatro horas antes da derrubada da MP que dava assento a Mangabeira na Esplanada, o presidente Lula chegou a apostar num clima de "distensão" no Senado.À noite, depois de tomar conhecimento da derrota, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, deu uma ordem à sua secretária: "Me liga com o Renan." Mares Guia queria saber o motivo da rebelião. Marcou para hoje uma reunião com seis senadores do PMDB, no Planalto.A rebelião do PMDB fora acertada por um grupo de 11 dos 19 senadores do partido na noite de terça-feira em um jantar na casa do colega Valter Pereira (PMDB-MS), relator do parecer pela rejeição da MP.O líder da bancada, Valdir Raupp (RO), não só compareceu como assumiu o comando oficial da rebelião dos insatisfeitos. Ficou decidido ali, que o grupo deveria dar "um susto no governo" com a rejeição da MP. A articulação foi tamanha e cirúrgica que o partido ajudou o governo a aprovar outras três MPs que foram votadas na mesma sessão.

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