Renan enfrenta mais um teste e Planalto observa aliado

Segundo auxiliares de Lula, presidente quer observar poder de fogo do senador para decidir que rumo tomar

Natuza Nery, Reuters, REUTERS

16 de julho de 2007 | 21h02

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), enfrentará nesta terça-feira um importante teste político, crucial para medir o tamanho da força que tem junto a seus pares. Distante das articulações para salvar o aliado, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizem que ele não quer atrair o imbróglio do Senado para o Planalto e vai observar o poder de fogo de Renan para decidir que rumo tomar. Veja também:    Entenda o caso Renan PT não aceita 'linchamento público' de Renan, diz Berzoini"O presidente não quer colocar a crise no colo dele. Se aproximar do Lula interessa à oposição e ao Renan", disse um importante interlocutor do presidente, que pediu para não ser identificado. "O momento é de aguardar o desenrolar das coisas e ver como vai ser o fechamento de amanhã."Dois desafios serão avaliados pelo Palácio do Planalto nas próximas horas: se Renan consegue colocar o plenário da Casa para votar medidas e projetos de interesse do governo antes do início do recesso, na quarta-feira, e se o peemedebista terá musculatura política para vencer a queda-de-braço na Mesa Diretora. O colegiado analisa na terça a necessidade de encaminhar à Polícia Federal pedido para retomar perícia nos documentos sobre venda de gado apresentados pelo senador ao Conselho de Ética. Renan quer evitar que isso ocorra.Apesar de afastado, Lula também não trabalha contra. Segundo auxiliares do presidente, a avaliação é de que é preciso esperar mais antes de optar por uma solução alternativa: construir um substituto de Renan antes que a oposição o faça. O recuo de Lula, no entanto, não pode ser qualificado como abandono, pelo menos não até agora, argumentam esses mesmos auxiliares.Nesta tarde, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), afirmou que seu partido não aceita "linchamento público nem constrangimento para forçar o presidente Renan Calheiros a se licenciar ou renunciar". O tamanho do apoio, no entanto, será proporcional ao poder do senador de arregimentar colegas simpáticos à sua defesa.Para o chefe do Congresso e alguns de seus aliados, o Palácio subestima a realidade do Senado. A avaliação é de que já há, nitidamente, uma disputa entre oposição e governo em curso. Nos últimos dias, a oposição cresceu no Senado, cenário que pode facilitar uma eventual disputa pela vaga de Renan. Em conversas de bastidores, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) desponta como uma alternativa interessante para o PSDB e o Democratas.Para esses partidos, a "solução Jarbas" ganharia adeptos, pois respeitaria o princípio da proporcionalidade (tradição pela qual o maior partido da Casa---atualmente o PMDB--tem o direito de indicar seu principal representante) e colocaria no cargo alguém de postura independente ao governo.

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