Renan em férias: Lula adiará ao máximo escolha de ministros

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixou Brasília, nesta quarta-feira, dia 3, certo de que não haverá mudanças no ministério até meados de fevereiro. "O próprio presidente Lula disse que vai segurar esta questão (mudanças na equipe) ao máximo", destacou. Diante deste cenário, ele vai passar os próximos dez dias descansando em Maceió, seguindo o exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de nove ministros de Estado que decidiram tirar férias neste período.Renan nega que o presidente Lula tenha procurado a cúpula do PMDB para tratar de escolha de ministros nos últimos dias e afirma que não vai interferir na decisão presidencial no que se referir à cota de poder do PMDB. "Ele (Lula) não conversou com a gente e nós concordamos que, quanto mais tarde for (a reforma ministerial), melhor", resumiu o presidente do Senado."Não terei papel na sugestão de nomes, porque isto pode apequenar meu papel na relação institucional entre os Poderes Executivo e Legislativo", insistiu Renan. NegociaçãoA seu ver, "há todo um caminho criterioso a percorrer", que vai da definição dos "fundamentos programáticos" da coalizão com o PMDB e os demais partidos aliados às mudanças internas no comando dos partidos governistas."Antes de qualquer coisa, é preciso equacionar os partidos da base e organizar a interlocução, para depois tratar do ministério", afirma o senador. Em sua opinião, a tarefa da escolha dos nomes deve ficar nas mãos da direção partidária e dos líderes. "Quem deve indicar os nomes são as bancadas de deputados e senadores, dentro do perfil de ministro determinado pelo presidente Lula", completa.Embora não tenha dúvidas de que é possível compatibilizar perfis técnicos e indicações políticas, o senador faz questão de deixar claro que, no preenchimento de cargos essencialmente técnicos, o fundamental é a competência. "Nesses casos, não dá para fazer concessão política, porque isto dificultaria o andamento do Estado", pondera.Renan e o senador José Sarney (PMDB-AP) tiveram papel fundamental no convencimento de Lula de que o adiamento da montagem do ministério do segundo governo era melhor para todos. Eles pregaram com insistência que os novos ministros só fossem anunciados depois da sucessão no comando do Congresso. Os amigos de Renan temem que falte habilidade ao Planalto na reforma da equipe e que as insatisfações dificultem seu projeto de reeleição para presidente do Senado.

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