Renan e Sarney tentam adiar novo ministério

Os peemedebistas Renan Calheiros (AL), presidente do Senado, e José Sarney (AP), senador, resistem à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de dar início neste mês à reforma ministerial. Lula já avisou à dupla que promoverá "mudanças pontuais" na equipe, inclusive para melhorar a fotografia de seu ministério do segundo mandato, que será tirada em 1º de janeiro, dia de sua posse. Mas não os convenceu. Os dois parlamentares do PMDB contestam a tese palaciana de que apressar a reforma é a melhor tática para se obter êxito tanto na montagem da equipe quanto na sucessão do Congresso, que inclui a reeleição de Renan e a do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Eles temem que a pressão dos aliados por cargos aumente demais e que Lula acabe forçado a ampliar a reforma já. O receio, neste caso, é de que falte habilidade ao Planalto na composição da Esplanada e que os insatisfeitos, especialmente dentro do PMDB, acabem dificultando o projeto da reeleição. ´Foto bonita´ A cúpula governista do Senado argumenta nos bastidores que de nada adianta ter "foto bonita" do governo novo para apresentar ao País no dia da posse se a maioria no Congresso não estiver garantida. Eles avaliam que a operação do Planalto deve se inspirar no parlamentarismo e, por isso mesmo, recomendam muita cautela nas ações. Embora tenha largado na frente, na condição de franco favorito na disputa parlamentar, Renan admite, em conversas reservadas, que o lançamento de um candidato da oposição à presidência do Senado cria dificuldades. Ele faz uma referência ao líder do PFL, senador José Agripino Maia (RN), que também o procurou para informar que deseja a cadeira de presidente da Casa e entrará na disputa de forma respeitosa, mas "para valer". O pefelista garante que, apesar de estar somente começando sua campanha, já conquistou cinco votos no PMDB. Renan não acredita na afirmação do colega do Senado, mas permanece atento e resolveu reforçar ao longo desta semana a ofensiva na busca pelo apoio dos senadores. A respeito da sucessão nas duas Casas do Congresso, a prioridade da cúpula governista do PMDB é garantir a presidência do Senado, embora o partido tenha a maior bancada de deputados e, dessa forma, a prerrogativa de indicar o presidente, pela tradição da Casa. Situação difícil Diante da insistência do PT em eleger alguém do partido à presidência da Câmara - com o avanço da candidatura do líder do governo Arlindo Chinaglia (SP) - e da preferência de Lula pelo sistema simplificado de dupla reeleição, até os deputados peemedebistas admitem que fica "praticamente impossível" a legenda conquistar o comando das duas Casas. Nesse cenário, deputados federais mais experientes afirmam que o que Renan quer mesmo é ganhar tempo e se cacifar para negociar a reforma ministerial já reeleito na presidência do Senado. Os parlamentares de seu grupo, no entanto, defendem a tese de que não se deve tratar de nada que possa "criar marola" e complicar a vida do próprio governo no Senado, embora o Planalto fale em "mudanças pontuais" - o que na visão do partido deixaria de fora os "ministérios políticos".

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