'Renan é o Severino do Senado, tem que sair', diz líder do DEM

Para Onyx Lorenzoni, a Casa perdeu credibilidade , assim como a Câmara na época de Severino Cavalcanti

DENISE MADUEÑO, Agencia Estado

10 Outubro 2007 | 13h42

O líder do DEM, deputado Onyx Lorenzoni (RS), comparou a situação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao do ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). "O Renan é o Severino do Senado. A única saída do Senado é fazer o que a Câmara fez: tirou o Severino", afirmou Lorenzoni.  Veja Também: Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Jefferson Peres será relator de terceiro processo contra Renan Pareceres sobre Renan dependem dos relatores, diz Quintanilha Ele disse que, assim como a Câmara presidida por Severino, o Senado perdeu a credibilidade e os senadores não podem mais andar nas ruas e nos aeroportos sem serem questionados pela população sobre a permanência de Renan no cargo. "O Senado está em situação gravíssima diante dos olhos da sociedade brasileira", afirmou o líder do DEM.Severino Cavalcanti presidiu a Câmara por sete meses, renunciando ao mandato de deputado e, por conseqüência, ao cargo de presidente em setembro de 2005, depois de acusado de supostamente cobrar propina de dono de restaurante em troca de autorização para exploração dos serviços na Câmara.  Renan  recebeu nesta quarta o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP). Um dirigente do partido que participou da conversa relatou que Renan procurou justificar sua insistência em se manter no cargo, apesar das acusações, e deixou claro que não mudará de idéia. "Não tem saída. A não ser ficar", disse Renan  a Temer, segundo a fonte. O presidente do PMDB saiu do encontro preocupado e avaliando que o momento político é grave. "Precisamos dialogar e conversar muito, porque, acima de todas as pessoas, estão as instituições", ponderou Temer. "A autoridade vem da Constituição e da lei, e não do cargo. É preciso perceber isto", recomendou. E completou: "Daí, a necessidade do diálogo permanente entre todos e entre as instituições, o que, aliás, é determinação constitucional."    Renan dificulta CPMF Contrário à proposta que prorroga a cobrança da CPMF,  Lorenzoni ( prevê dificuldades para o governo para aprovar o projeto no Senado. A presença do presidente do Senado no cargo é considerada um grande obstáculo para a prorrogação da contribuição. Para ele, o governo está um uma "sinuca" no Senado porque, se Renan era importante para aprovar a CPMF em um primeiro momento, agora passou a ser um entrave.   Na avaliação do líder, o governo já corre o risco de não conseguir votar a proposta no Senado neste ano e, por conseqüência, perderá arrecadação. "O cálculo político do governo não contava com a capacidade interminável de Renan produzir lambança", disse Lorenzoni. Na Câmara, a proposta foi aprovada em sessão que terminou nesta madrugada.  Lorenzoni reafirmou que a relatora da proposta de CPMF no Senado, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), usará os 30 dias de prazo que tem para apresentar o seu parecer. O líder do DEM lembrou que, na Câmara, onde o governo tem maioria ampla, a CPMF levou quase seis meses para ser aprovada. "Isso com o governo usando toda a máquina, retirando medidas provisórias e desfigurando o projeto do Programa de Segurança Pública", comentou Lorenzoni.  (Colaborou Christiane Samarco, do Estadão)

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