Renan é convidado especial em encontro com Lula às 16 horas

Presidente do Senado participará de evento da Semana de Trânsito e pode agendar encontro reservado

Christiane Samarco, do Estadão,

19 de setembro de 2007 | 14h32

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), irá se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva às 16 horas, numa cerimônia no Palácio do Planalto, para o lançamento do Comitê Nacional de Mobilização pela Saúde, Segurança e Paz no Trânsito. O evento é parte das comemorações da Semana Nacional do Trânsito.  Veja também:Conselho adia votação de 2º processoEspecial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado  Renan foi especialmente convidado pelo Palácio do Planalto, e uma das razões é o fato de que o Código Nacional de Trânsito foi reformado na gestão do senador à frente do Ministério da Justiça, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.  De acordo com um parlamentar que sempre acompanha as idas de Renan ao Planalto, o "script" de Lula e Renan deverá ser o mesmo das ocasiões anteriores: os dois devem cochichar e combinar um encontro reservado, no final do expediente, no Palácio do Planalto.  Esse encontro está programado desde a última quinta-feira e deveria ter ocorrido na última terça-feira. Mas Renan achou melhor adiar a conversa para desvincular a audiência do julgamento que o livrou da cassação, na semana passada.  Manobra do PT O PT propôs na última terça-feira que o Senado junte em um pacote só todas as denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em vez de analisar isoladamente as representações ao Conselho de Ética e votar os relatórios separadamente, os petistas propuseram que, na prática, Renan seja submetido a um único julgamento, não importa quantas representações sejam feitas e acolhidas pelo colegiado.  Diante da proposta, o presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), decidiu suspender a sessão desta quarta-feira, marcada para votar o parecer sobre o caso Schincariol. O próximo encontro do órgão deve acontecer na próxima quarta, 26. Quintanilha negou que o adiamento se trate de nova manobra protelatória. "Ela foi tomada depois de ouvir todos os líderes. E todos concordaram." O adiamento da reunião pode ser considerada a primeira vitória da estratégia do PT, que não queria, no espaço de uma semana, ser acusado, mais uma vez, de ajudar a absolver o presidente do Senado. A Mesa do Senado vai decidir nesta quinta-feira, em reunião marcada para as 14 horas, se encaminha ou não ao Conselho de Ética a quarta representação por quebra de decoro parlamentar contra Renan. A representação, apresentada pelo PSOL, pede para investigar a denúncia de que Renan e o lobista Luiz Garcia Coelho teriam montado um esquema para desviar recursos de ministérios comandados pelo PMDB. A convocação da reunião da Mesa foi feita pelo vice-presidente da Casa, senador Tião Vianna (PT-AC). Seguindo as regras do regimento, ele pediu que a Advocacia-Geral do Senado faça um requerimento para ajudar a embasar a decisão da direção da Casa.  Na reunião do Conselho de Ética que estava prevista para esta manhã, o relator da denúncia da Schincariol, João Pedro (PT-AM), diria que, diante da falta de provas, os senadores devem aguardar que a Câmara faça a investigação do caso, que tem como protagonista o irmão de Renan, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). Essa foi a dica para o PT propor o pacote de unificação das acusações. Convencimento O procedimento vai ainda unificar o trabalho do Planalto de convencer senadores a votarem em favor de Renan. "Que o Senado vote as três representações, de preferência, numa única sessão e, de preferência num único dia, para que possa dar uma resposta definitiva a esse episódio", defendeu o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Relator do parecer que condenou Renan na primeira representação, Renato Casagrande (PSB-ES) disse ser difícil realizar ao mesmo tempo o processo de investigação de denúncias diferentes, o que inviabilizaria a idéia de votá-las ao mesmo tempo. Segundo ele, o certo a fazer agora é dar agilidade à tramitação de todas as representações, sem as manobras ocorridas no exame da primeira delas.  Mesmo antes de reunir a bancada, o líder do DEM, José Agripino (RN), disse ser contra a proposta do PT. "São representações diferentes, têm origem e causas distintas e, portanto, merecem tratamento diferente." Para Álvaro Dias (PSDB-PR), a sugestão dos petistas só teria sentido se o voto fosse aberto e não secreto, como é hoje. "Senão, dará lugar a barganhas que não interessam à opinião pública."  

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