Renan é acusado de mandar espionar senadores da oposição

Segundo 'Veja', Calheiros queria flagrar Demóstenes e Perillo em atividade ilegal, para pedir apoio em troca

Christiane Samarco, Estadão

06 de outubro de 2007 | 16h55

O senador Renan Calheiros vai terminar essa semana com mais uma denúncia contra si. Ele e o ex-senador Francisco Escórcio, que é seu funcionário no gabinete da presidência, são acusados de espionar os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO), que estão na linha de frente contra Renan no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. A notícia foi publicada na sexta-feira no Blog do Noblat e na Veja desta semana.   "Não podemos entender a notícia como verdade absoluta, mas se impõe que Renan dê explicações sobre este assunto o mais rápido possível e que o (ex-senador) Francisco Escórcio, que é seu funcionário no gabinete da presidência, fale ou seja demitido", cobra o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). Escórcio se defendeu e disse que as acusações não têm o menor cabimento.   De acordo com a denúncia,"arapongas" a serviço de Renan planejavam instalar câmeras de vídeo para filmar os embarques e os desembarques dos parlamentares em um hangar de táxi aéreo que é do ex-deputado Pedro Abrão (PTB-GO), no Aeroporto de Goiânia. O objetivo seria tentar flagrar Demóstenes e Perillo em alguma atividade ilegal, para depois chantageá-los em troca de apoio. Mas Abrão não só se recusou a participar do esquema, como procurou Demóstenes para avisá-lo.   "Esse pessoal está achando que eu sou bandido, mas eu não sou bandido não", disse Abrão a Demóstenes, segundo relato do próprio senador. Abraão garantiu-lhe ter ouvido de Chiquinho Escórcio que a operação envolvia outras pessoas e que a idéia era montar um dossiê contra os dois senadores que estavam "batendo demais em Renan", no Conselho de Ética.   "O plano só não foi em frente porque o dono do hangar não permitiu", insiste Demóstenes. "Este caso é pior do que Watergate", protestou o senador, referindo-se ao escândalo que provocou a renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon, sob a acusação de espionar o adversário na campanha.   "Lá a espionagem foi política, e esta aqui é civil e criminal", define Demóstenes, inconformado com a participação de Escórcio no episódio. "Não tem cabimento mandar um funcionário do seu gabinete, um desqualificado do submundo da política, cumprir esta missão", critica o senador.   O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), está em missão oficial no Uruguai, mas já tomou conhecimento da denúncia e, assim que chegar de Montevidéu na quarta-feira, tomará as providência para que a corregedoria comece a investigar o caso. Ele consultará a Polícia Federal para saber se já existe alguma investigação sobre a suposta operação de espionagem e, se houver algo em curso, pedirá que o trabalho seja enviado à corregedoria.

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