André Dusek|Estadão
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Renan diz que suas opiniões sobre alteração da lei de delação são públicas

Após diálogo com Machado vazar, senador diz que recebe todos que o procurarem; ele se desculpou por dizer que Aécio tinha medo

Isabela Bonfim , O Estado de S. Paulo

25 de maio de 2016 | 09h30

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (OMDB-AL), publicou uma nota na manhã desta quarta, 25, em que diz que o teor da conversa que teve com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado é público e já foi dito outras vezes a jornais. O diálogo em que Renan pede mudanças na lei de delação premiada foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo nesta madrugada.

"As opiniões do senador, sempre, foram publicamente noticiadas pelos veículos de comunicação, como as críticas ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, a possibilidade de alterar a lei de delações para, por exemplo, agravar as penas de delações não confirmadas e as notícias  sobre delações de empreiteiras, todas foram, fartamente, veiculadas", diz a nota.

No texto, a assessoria diz que Renan recebe todos aqueles que o procuram para conversar e que defende nos diálogos seus pontos de vista, porém, todos "evidentemente dentro da Lei e da Constituição".

Renan também se desculpou com o presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), e diz ter se expressado "inadequadamente". No diálogo revelado pelo jornal Folha de S. Paulo, Renan diz que todos os políticos estão "com medo" da Lava Jato e cita particularmente Aécio, dizendo que o tucano pediu que ele verificasse se ainda havia mais alguma informação da delação que o ex-senador Delcídio Amaral fez citando o seu nome. Na nota, Renan diz que o senador mineiro expressava "indignação, e não medo" com a citação do ex-senador Delcídio.

Por fim, Renan defende que o teor da conversa não sugere qualquer intervenção na operação Lava Jato. "E não seria o caso, porque nada vai interferir nas investigações".  Renan não menciona na nota partes do diálogo a que se refere a presidente afastada Dilma Rousseff.

ConversaNo diálogo, Renan diz que é preciso impedir que alguém preso se torne delator. "Primeiro, não pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a delação e estabelece isso", disse.

Renan sugere ainda que poderia "negociar" com os ministros do Supremo Tribunal Federal uma "transição" para Dilma Rousseff. O senador disse que seu plano A para a crise política do Brasil é um semiparlamentarismo. O impeachment da petista seria o plano B. Segundo Renan, os ministros não negociavam com Dilma porque estavam "putos" com ela.


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