Renan diz que PMDB ainda não se reuniu para avaliar situação de Cunha

Presidente do Senado afirma não haver conversas sobre a situação política do colega de partido, mas nos bastidores há constrangimento em sair em defesa de presidente da Câmarra

Anderson Bandeira, especial para, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2015 | 20h41

RECIFE -  O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou, nesta segunda-feira, 23, que o PMDB ainda não se reuniu para avaliar a situação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), seu correligionário, investigado na Operação Lava Jato e alvo de pedido de cassação do mandato apresentado pelo PSOL na Câmara.

"Não conversamos ainda sobre essa questão. E para mim é sempre difícil fazer algum comentário do que está acontecendo na Câmara", afirmou o senador após ato contra a flexibilização do Estatuto do Desarmamento, no Recife.

Nos bastidores, o vice-presidente Michel Temer e integrantes da cúpula do PMDB começam a demonstrar constrangimento em sair em defesa de Eduardo Cunha. O desconforto aumentou depois das manobras colocadas em prática pelo peemedebista na última quinta-feira, quando tentou impedir o avanço do processo de cassação contra ele no Conselho de Ética. No congresso do partido realizado na semana passada não houve nenhum ato de desagravo ao presidente da Câmara. Pelo contrário, ele chegou a ser vaiado e teve de ouvir o bordão "fora, Cunha" até dos próprios correligionários.

Calheiros, que também foi citado no esquema de desvios de recursos na Petrobrás, procurou se esquivar ao ser questionado sobre manobras regimentais feitas por Eduardo Cunha na semana passada. Ele alegou que não falaria sobre o assunto "em função da necessidade do funcionamento da bicameralismo". Na quinta-feira, o presidente da Câmara e seus aliados impediram a realização de sessão do Conselho de Ética que analisaria relatório apresentado pelo deputado Fausto Pinato (PRB-SP) que pede abertura de processo de cassação contra ele.

Ajuste. Renan Calheiros também afirmou que o Congresso vem ajudando a avançar com o ajuste fiscal proposto pelo governo. "O Congresso fez o que era possivel fazer. Votou todas as medidas de ajuste, qualificou o ajuste. Em algumas momentos eu fiz uma advertência que esse ajuste era insuficiente. Não era possivel penalizar só o trabalhador. Era preciso criar alternativas para que nós tivéssemos avanços de receitas no Brasil sem necessariamente aumentar imposto", afirmou. "No Senado avançamos como iniciativa do Senado com relação a repatriação (de recursos do exterior) e vamos votar todas as matérias relativas ao Orçamento (de 2016)."

Ele lembrou ainda de sua proposta de Agenda Brasil - lista de projetos em tramitação no Senado que, na sua visão, ajudariam a reduzir a crise econômica. "O Congresso tem feito a sua parte até no campo propositivo. Temos feito a nossa parte que, se fosse patrocinada pelo governo federal, já teria produzido resultado. Temos que sair dessa situação pensando grande", afirmou.

Calheiros avaliou ainda que o Palácio do Planalto precisa continuar cortando despesas para sair da crise e defendeu a criação de alternativas para o País voltar a crescer. "Porque a melhor maneira de aumentar a arrecadação é a retomada do crescimento". 

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