Marcelo Camargo|Agência Brasil
Marcelo Camargo|Agência Brasil

Renan diz que investigações precisam avançar 'no devido processo legal'

Presidente do Senado deu uma Constituição ao ex-presidente Lula e destacou que Operação Lava Jato precisa seguir 'com liberdade de expressão, com direito de defesa, com presunção de inocência'

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2016 | 14h24

Brasília – Num recado indireto às investigações da Operação Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou na tarde desta quarta-feira, 9, que o gesto político de ter presenteado com uma Constituição o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na saída do café da manhã com mais de 20 senadores do qual foi anfitrião, tem por objetivo mostrar que ninguém é contra as apurações, embora elas tenham que respeitar o ordenamento jurídico brasileiro.

“É preciso que as investigações avancem, mas no devido processo legal, com liberdade de expressão, com direito de defesa, com presunção de inocência como diz a Constituição Federal”, disse Renan, em entrevista na chegada a seu gabinete após o encontro com o ex-presidente de três horas na residência oficial do Senado. “Há uma Constituição no Estado democrático de direito que precisa ser respeitada”, destacou.

Assim como o ex-presidente, que reclamou no encontro que a Operação Lava Jato está “forçando a barra” para prendê-lo após a condução coercitiva que foi alvo na sexta-feira passada, Renan também tem se queixado nos bastidores da forma como as investigações da Operação Lava Jato têm sido conduzidas. Ele é alvo de seis inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao classificar a conversa como “muito boa”, o presidente do Senado afirmou que Lula se mostrou disposto a ouvir os senadores, durante o encontro, e que frisou que ele quer “colaborar para não colocar fogo no País”. Renan salientou que o ex-presidente disse ser de uma geração que “conquistou” a democracia, que está em seu período mais longevo. Segundo o peemedebista, ele não quer colaborar com o acirramento da crise, sim para o caminho da “paz e da conciliação”.

Ministro. Questionado sobre notícias de que Lula poderia assumir um ministério, Renan disse que não falaria por hipótese. Mas disse que, falando do ponto de vista pessoal, Lula não precisa integrar o primeiro escalão do governo da presidente Dilma Rousseff para ajudar a gestão da petista. A cúpula petista e ministros com assento no Palácio do Planalto têm defendido que o ex-presidente vire ministro, o que retiraria as investigações contra ele de ser conduzidas pelo juiz Sérgio Moro para serem tocadas pelo STF.

O presidente do Senado disse que, no encontro com Lula, não se falou de impeachment nem da convenção do PMDB marcada para o sábado, em que o partido poderá discutir se desembarcará do governo. Havia a expectativa de que o ex-presidente faria um apelo para que o PMDB se mantivesse na base aliada, mesmo diante do agravamento da crise. “Não tratamos de impeachment. Falamos da crise econômica e política. Precisa ter um cavalo de pau para que o Brasil retome o crescimento. É isso que precisamos fazer”, resumiu o peemedebista.

Renan disse que pretende ouvir também os ex-presidentes José Sarney e Fernando Henrique Cardoso a fim de discutir saídas para superar as crises política e econômica.

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