André Dusek|Estadão
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Renan diz que intercedeu junto ao STF para livrar de indiciamento Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo

Declaração foi feita no microfone do plenário do Senado; em maio, PGR pediu ao Supremo a anulação do indiciamento senadora e o marido

Bernardo Caram, Isadora Peron, Isabela Bonfim e Fábio Fabrini, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2016 | 12h52

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta sexta-feira, 26, que intercedeu junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para livrar de indiciamento a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo. A declaração foi feita no microfone do plenário do Senado, exaltando ainda mais os ânimos dos parlamentares na sessão de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Após suspender a sessão por uma briga de senadores, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, informou que Renan iria se pronunciar aos colegas. O presidente do Senado disse então que a Casa está perdendo oportunidade de se afirmar como uma instituição representativa da sociedade e pediu desculpas ao depoente pelo “constrangimento” gerado pelos colegas. “Vossa excelência (Lewandowski) está sendo obrigado a presidir um julgamento em um hospício”, disse.

Em seguida, disparou contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). “A senadora Gleisi Hoffmann chegou ao cúmulo de dizer que o Senado não tinha moral para julgar um presidente da República”, disse. Renan então afirmou que livrou a senadora e seu marido de um indiciamento no Supremo Tribunal Federal (STF). “Como uma senadora pode fazer uma declaração dessa, exatamente uma senadora que conseguiu há trinta dias que o presidente do Senado Federal conseguisse no STF desfazer o seu indiciamento e do seu esposo”, disse. “Isso é um espetáculo triste”.

Em março, a Polícia Federal pediu o indiciamento da senadora petista e seu marido por corrupção passiva, na Operação Lava Jato ao concluir que o casal recebeu R$ 1 milhão de propina oriundo de contratos da Petrobrás. Em maio, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo a anulação do indiciamento justificando que autoridades com foro privilegiado não podem ser indiciadas pela PF. O presidente do Senado havia determinado que a Casa entrasse como parte interessada na reclamação que Gleisi apresentou ao STF.

A assessoria do STF disse que não vai comentar a fala de Renan e que todas as decisões tomadas pelos ministros da Corte são técnicas.

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