Renan diz que fim da reeleição será votado se houver acordo

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), reafirmou, nesta terça-feira, que é contra a reeleição para cargos executivos, mas que, se houver acordo entre os líderes dos partidos, a Casa votará proposta de emenda constitucional, de iniciativa do senador Sibá Machado (PT-AC), relatada pelo presidente do PSDB, Tasso Jereissatti (CE), que impede a reeleição para o cargo de chefe do Executivo (presidente da República, governador e prefeito). O deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) admite que o assunto só será aprovado no Congresso Nacional mediante uma ampla negociação política, uma vez que envolve a situação dos reeleitos, no ano passado, para cargos executivos. Para evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tente disputar um terceiro mandato, alegando o direito de se candidatar com base em novas regras constitucionais, Jutahy sugere a votação de uma emenda para proibir isso. Ou seja, quem está exercendo o mandato e foi reeleito em 2006 ficará impossibilitado de disputar o cargo em 2010. Outro ponto vai causar polêmica: os atuais governadores e prefeitos que ainda não se reelegeram poderão disputar o cargo mais uma vez, já que foram eleitos com base na regra atual. Tucanos divididosO PSDB não tem uma posição uniforme quanto ao fim da reeleição. Mas o deputado baiano está otimista e acha que a grande maioria deseja o fim do instituto. Na segunda-feira, juntamente com um grupo de deputados do PSDB, Jutahy se reuniu com o governador Aécio Neves que reiterou sua posição favorável à reeleição e a ampliação do mandato de quatro para cinco anos para os detentores de cargos executivos. Na próxima segunda-feira, o assunto deverá ser tratado na reunião dos partidos da coalizão no Palácio do Planalto. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta terça que continua favorável à reeleição para os cargos do Executivo, proposta que disse ter defendido já na época da Constituinte. Segundo FHC, a possibilidade de disputar um segundo mandato dá ao eleitor força para avaliar se quer ou não a continuidade do governo."Eu fui e continuo sendo favorável (à reeleição)", comentou FHC, ao ser questionado sobre sua postura diante dos sinais favoráveis em seu partido ao fim da reeleição com ampliação do mandato para cinco anos. "Não vou fazer disso um cavalo de batalha evidentemente", acrescentou, pouco antes de reunir-se com a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), e seu secretariado para um almoço.(Com Cida Fontes e Sandra Hahn)

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