Agência Senado
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Renan diz que é hora de ouvir Delcídio no Senado

Presidente da Casa comentou sobre prisão 'fulminante' de petista e disse que não vai impedir que ele exerça seu mandato

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2016 | 12h52

Atualizada às 13h18

Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta terça-feira, 23, que o episódio que levou à prisão e soltura do senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi tão "fulminante" que chegou o momento de ouvi-lo. Delcídio, solto por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira, 19, ainda não retomou as atividades parlamentares. Ele responde a um processo por quebra de decoro parlamentar sob a acusação de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato.

"O senador Delcídio vai exercer o mandato de senador na sua plenitude, na forma da Constituição. O que ele vai falar ou não vai falar é foro íntimo. Quando o Supremo decidiu a primeira vez, nós chancelamos. Agora novamente nós vamos chancelar a decisão do Supremo e ele exercerá o mandato. Acho que essa coisa foi tão rápida e tão fulminante, que ele não falou. Talvez é um caso raro de alguém que não falou. Então é hora de o Senado ouvi-lo e saber o que ele tem a dizer", disse o peemedebista, em entrevista.

Renan sinalizou que, até um eventual pronunciamento de Delcídio, não tomará qualquer decisão para impedir que retome suas funções. Ele, por exemplo, não fez a leitura em plenário do pedido feito pelo PT na semana passada para substituí-lo como integrante da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), da qual é presidente. "Se Delcídio vai falar, continuar na CAE ou não, vai depender dele", disse.

Marqueteiro. Sobre a prisão temporária nesta terça-feira, 23, do ex-marqueteiro do PT, João Santana, alvo da 23ª fase da Operação Lava Jato, o presidente do Senado  disse esperar que Santana - responsável pelas campanhas presidenciais de Dilma Rousseff - dê todos os esclarecimentos e preste um "depoimento convincente" às autoridades. "É provável que alguém que fez campanha em tantos países tenha tomado a precaução jurídica necessária porque a qualquer momento, ele sabe, pode ser questionado", disse Renan.

O peemedebista não quis antecipar os possíveis desdobramentos da decisão para o mandato da presidente, alvo de um processo de impeachment na Câmara e de ações que visam a cassar a chapa formada por ela e pelo vice Michel Temer. Defendeu apenas que Santana faça um depoimento esclarecedor, o que será "bom para a democracia". 

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