Renan diz que é 'chefe' do Senado e que Lula não cobra nada

Presidente do Senado responde a declaração de Lula, que ameaçou cobrar líderes se houver obstrução na Casa

Rosa Costa, do Estadão,

08 de agosto de 2007 | 15h46

O presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta quarta-feira, 8, que é o "chefe" do Senado e que Lula não cobraria nada. "Ele chefia um Poder. Eu chefio outro", disse. A declaração do senador é uma resposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, na última terça-feira, em Honduras, ameaçou cobrar explicações dos líderes da Casa caso houvesse paralisação das votações, como ameaçou a oposição (DEM e PSDB).  Veja também:  Cronologia do caso Renan    'Nada tenho a temer, nada tenho a esconder', diz Renan no Senado  Agripino, líder do DEM, cobra saída de Renan da presidência  Renan reage a pedido de Agripino, líder do DEM  Veja especial sobre o caso Renan  Em viagem a Honduras, Lula afirmou em referência ao caso Renan que "nenhum caso individual pode atrapalhar as votações de coisas de interesse do nosso País", disse. E advertiu que, se houver atraso no Senado nas votações, chamará os líderes da Casa e dos partidos políticos para "uma conversa" assim que retornar ao Brasil.  O presidente do Senado afirmou também que Lula manifestou apoio a ele em uma ligação telefônica na noite da última terça-feira. "Mais do que uma relação político-partidária, a relação é pessoal. Somos amigos", afirmou Renan, que responde a processo no Conselho de Ética e vem sendo acusado de outras irregularidades.  Renan disse ainda que recebeu a visita de Michel Temer, presidente nacional do PMDB, e de outros políticos. "As coisas estão muito bem e eu vou demonstrando a cada dia com documentos, e não com discursos as provas contrárias às maledicências". O senador disse ainda que não está incomodado com a pressão da oposição e que a abertura de seu sigilo bancário e fiscal pelo Supremo Tribunal Federal (STF) é uma "oportunidade para provar sua inocência".  DEM e PSDB ameaçam obstruir as votações no Senado enquanto Renan a fim de pressioná-lo a deixar a presidência da Casa.  Renan estava se dirigindo ao plenário do Senado quando um jornalista perguntou o que achava da decisão do STF. "Para haver uma investigação correta, processualmente recomendada, é importante que essas informações venham à baila", respondeu o senador. E continuou: "O Supremo e o Conselho de Ética são lugares importantes para que essas investigações sejam feitas. Para que a sociedade saiba quem tem razão. O que não pode é a sociedade ficar perdida num noticiário esquizofrênico, segundo o qual quem é vítima passa a ser culpado e quem é culpado passa a ser vítima."  O governo considera inevitável a saída do presidente do Senado, segundo informação do Estado nesta quarta-feira. Apesar do discurso oficial de Lula de que Renan já exibiu vários documentos para provar sua inocência, ministros já admitem, em conversas reservadas, que o Planalto será obrigado a se debruçar - com mais velocidade do que gostaria - sobre nomes aliados para a troca de comando no Senado. Entre os cogitados, estão Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), José Sarney (PMDB-AP), José Agripino (DEM-RN) e Roseana Sarney (PMDB-MA). Nesta quarta-feira, o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, avaliou que o caso Renan não vai atrapalhar a votação, no Senado, da prorrogação da CPMF. "Acredito que não e ontem (terça) o presidente (Lula) disse com clareza: o presidente Renan tem todo o direito de se defender e temos que respeitar o direito constitucional de ele se defender no foro correto, que é o Conselho de Ética", disse.  Defesa, STF e nova denúncia Na última terça-feira, Renan sofreu várias derrotas. Foi mais uma vez pressionado por senadores da oposição a deixar a presidência e tentou mais uma vez se defender. Mais uma representação contra ele foi encaminhada ao Conselho de Ética e o inquérito aberto no STF mandou quebrar os sigilos bancário e fiscal do senador.  Em clima tenso no Senado, o presidente da Casa acabou batendo boca com o líder do DEM no Senado, José Agripino (DEM). "Nada tenho a temer, nada tenho a esconder", disse o senador em sua defesa. E não poupou acusações à revista Veja. No início do discurso, afirmou que há dois meses vem sendo vítima de um "impiedoso ataque que já se transformou em campanha". O senador disse que não renuncia à presidência, que vive um calvário e é agredido "diariamente" em uma briga política paroquial.  A Mesa Diretora da Casa ignorou parecer do advogado-geral da Casa, Alberto Cascais, e decidiu encaminhar ao Conselho de Ética a representação do PSOL pedindo investigação da denúncia de que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) teria beneficiado a cervejaria Schincariol. Após a compra, Renan teria intercedido em favor da empresa no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e na Receita Federal. A fábrica, que estava prestes a fechar, foi comprada por R$ 27 milhões. No inquérito aberto no STF para investigar Renan o relator Ricardo Lewandowski determinou na última terça-feira a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador desde 2000. O inquérito servirá para dar base a eventual denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando, contra Renan, que tem direito a foro privilegiado por ser senador.  O Democratas também decidiu na terça encaminhar nova representação contra Renan, com base em outra denúncia da revista Veja, de que o presidente do Senado estaria envolvido na compra de emissoras de rádio e de um jornal em Alagoas por intermédio de "laranjas". O PSDB vai acompanhar a representação do DEM, desde que não atrase a investigação já em curso no Conselho de Ética. (Colaboraram Vera Rosa, do Estadão) 

Tudo o que sabemos sobre:
LulaRenanConselho de Ética

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.