Pedro França|Agência Senado
Pedro França|Agência Senado

Renan diz que divergências com Moraes são coisas do passado

Ministro licenciado, chamado pelo peemedebista de 'chefete de polícia' no passado, percorreu gabinetes de senadores em busca de apoio para vaga no Supremo

Vera Rosa e Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2017 | 18h22

BRASÍLIA - Quatro meses depois de chamar o então ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, de “chefete de política”, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), disse que suas divergências com ele são "coisa do passado". Indicado pelo presidente Michel Temer para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), Moraes se reuniu com senadores do PMDB, nesta terça-feira à tarde, 14, durante uma hora e dez minutos.

No gabinete da liderança do partido no Senado, onde o ministro licenciado expôs suas ideias, estavam parlamentares investigados pela Operação Lava Jato, entre eles o próprio Renan.

Em outubro do ano passado, quando agentes da Polícia Legislativa foram detidos pela Polícia Federal, Renan – então presidente do Senado – disse que Moraes não estava se portando como ministro da Justiça. Afirmou, na ocasião, que ele parecia um “chefete de polícia” e que falava mais do que devia “dando bom dia a cavalo”.

Questionado nesta terça-feira se não era contraditório apoiar Moraes para a vaga de Teori Zavascki no Supremo, depois de tantas críticas feitas a ele no passado, Renan abriu um sorriso. “Você disse bem. É coisa do passado", desconversou.

Antes, o líder do PMDB disse que, no encontro com a bancada, Moraes tratou de assuntos que “certamente” abordará na sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, marcada para a próxima terça-feira, dia 21.

Temas. O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) afirmou que o ministro licenciado da Justiça conversou com a bancada sobre temas diversos, da demarcação de terras indígenas ao Código Florestal. “Falamos também sobre votações de matérias legislativas pelo Supremo e até sobre o número excessivo de partidos”, contou Braga, que nesta terça-feira apresentou na CCJ relatório favorável à indicação de Moraes para o Supremo.

Mesmo assim, o Palácio do Planalto sofreu uma derrota no colegiado. A pedido de Temer, Renan e o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), também alvo da Lava Jato, tentaram antecipar a sabatina de Moraes para esta quarta-feira. Não conseguiram. O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que comandava a sessão no lugar do presidente da CCJ, Edison Lobão, marcou a sabatina para o próximo dia 21. “Não tem problema. Não queremos criar um clima de animosidade”, amenizou Jucá.

Chalana. Antes de se encontrar com os peemedebistas, Moraes almoçou com senadores do PTB, PSC, PTC, PRB e PR, o chamado “bloco moderador”. Alguns deles já tinham conversado com o ministro licenciado na noite de terça-feira passada, 7, quando o senador Wilder Morais (PP-GO) o convidou para uma reunião. O encontro ocorreu dentro de um barco e o Estado apurou que houve ali uma “sabatina informal” de Moraes.

Em nota divulgada na sexta-feira, 10, o ministro licenciado disse ter sido convidado para um jantar numa casa do Lago Sul, ficando “surpreendido” ao ver que a reunião ocorreria em um barco atracado na residência.

Em busca de apoio para a sabatina no Senado, Moraes também percorreu, nesta terça-feira, gabinetes de senadores do PT e de outros partidos de oposição ao governo Temer. 

 

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