Marcelo Camargo|Agência Brasil
Marcelo Camargo|Agência Brasil

Renan diz que convocação extraordinária do Congresso deve ocorrer, mas data ainda não está fechada

Presidente da Casa defende ser fundamental que Legislativo 'não enterre a cabeça na areia' e que funcionar no recesso é a maior sinalização para solução da crise

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2015 | 20h23

BRASÍLIA - O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta quarta-feira, 9, que deve ocorrer uma convocação extraordinária do Legislativo a fim de discutir o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O peemedebista disse, contudo, que ainda não está fechado quando a convocação será iniciada e qual a melhor forma de fazê-la no mês de janeiro.

"O fundamental, seja qual for o caminho, é que o Congresso funcione no recesso, trabalhe, não enterre a cabeça na areia", disse, ao defender que esta é a maior sinalização que o Legislativo pode dar para solucionar a crise. "A dúvida é quando começaremos e como faremos para convocar", completou.

Renan afirmou que é preciso encontrar um acerto para realizar a convocação extraordinária. Um dos cenários discutidos, conforme antecipou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, era não votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016, o que poderia levar automaticamente à continuidade dos trabalhos legislativos. Entretanto, diante das críticas a essa solução, ele disse preferir outra saída.

O presidente do Congresso contou ter conversado com setores da oposição sobre a eventual convocação extraordinária. Ele se disse surpreso com a informação de que o ministro da Secretaria do Governo, Ricardo Berzoini, iria procurá-lo para defender que o plenário faça um recesso parcial no fim do ano, voltando às atividades a partir de 11 de janeiro. Originalmente, o Palácio do Planalto queria que o Congresso não tivesse qualquer pausa para apreciar logo o impeachment de Dilma.

"Me surpreende que o Berzoini esteja nesta posição (de fazer uma pausa menor), é uma posição de racionalidade, de bom senso, o Brasil espera que o Congresso continue funcionando", observou.

Vice. O presidente do Congresso afirmou ainda que "definitivamente" é preciso que o vice-presidente Michel Temer e a presidente Dilma Rousseff construam uma convergência para traçar caminhos com o Brasil. Após uma carta em que o vice reclamou do tratamento que ele e o PMDB, partido que preside, receberam, Temer e Dilma devem conversar hoje à noite.

"Nós temos algumas diferenças, mas temos que convergir em torno de algumas mudanças estruturais, o Brasil precisa sair dessa situação. O melhor produto desta conversa será este", disse.

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