Renan diz que adiou reunião para dar tempo ´às partes´

Oposição ameaçava não comparecer a sessões de senador não se explicasse

Ana Paula Scinocca e Rosa Costa, do Estadão

12 de julho de 2007 | 17h30

O presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), enviou comunicado à Mesa Diretora do Senado informando que convocou a reunião de seus integrantes para o dia 17, e não para esta quinta-feira, para que haja tempo hábil de se notificarem os advogados das duas partes envolvidas no processo contra ele - ou sejam, ele próprio, e o PSOL, partido autor da representação contra o senador por suposta quebra de decoro parlamentar. Nos termos de um acordo feito na última quarta-feira entre oposição e governo, a reunião da Mesa seria realizada nesta quinta para referendar as perguntas que o Conselho de Ética enviará à Polícia Federal para que esta faça um aprofundamento dos documentos apresentados por Renan.Quando o vice-presidente do Senado, senador Tião Viana (PT-AC), terminou de ler o comunicado de Renan, a justificativa foi contestada pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Ele disse que a justificativa não procede, pois a notificação processual já ocorreu, e, portanto, o PSOL já está informado do pedido de aprofundamento da perícia da PF, e o próprio Renan, também.Torres disse que Renan deveria se declarar impedido de tomar a decisão de convocar a Mesa, por ser parte envolvida, e lembrou que a convocação caberia ao primeiro vice-presidente da Casa, senador Tião Viana (PT-AC). Segundo Torres, para que Viana se sinta mais confortável, o ideal seria que os líderes fizessem a observação de que Renan está impedido de convocar a reunião e entregassem a decisão ao primeiro-vice-presidente.A oposição ameaçou não comparecer às próximas sessões do Senado, presididas por Renan, caso ele não esclarecesse os motivos que o levaram a adiar a reunião.O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), afirmou que Renan está interferindo nas investigações do conselho sobre o seu processo ao adiar para a semana que vem a reunião da mesa. "Nós não podemos aceitar isso e a sensação é que está havendo uma interferência do senador Renan nas decisões do Conselho", disse Tasso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.