Valter Campanato|Agência Brasil
Valter Campanato|Agência Brasil

Renan diz não ter 'absolutamente nada a temer' em delação de ex-diretor da Petrobrás

Presidente do Senado argumenta não haver provas da afirmação feita por Nestor Cerveró, que disse ter pago R$ 6 milhões em propina ao peemedebista e ao senador Jader Barbalho

Ricardo Brito, O ESTADO DE S.PAULO

17 de dezembro de 2015 | 16h00

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou minimizar nesta quinta-feira, 17, as declarações feitas pelo ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró que disse, em delação premiada, ter pago R$ 6 milhões em propina ao peemedebista e ao colega de bancada Jader Barbalho (PMDB) para a campanha de 2006.

"O Brasil chegou a uma circunstância tal que um delator da qualidade do Cerveró vira juiz, sem prova, sem absolutamente nada", rebateu ele, em entrevista ao destacar que Cerveró reproduziu a fala feita por outro condenado - numa referência indireta ao lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano. "Não tenho absolutamente nada a temer", completou.

Os US$ 6 milhões para Jader e Renan, segundo Cerveró, foram obtidos logo depois de concluída a negociação referente à sonda Petrobrás 10.000. Para o peemedebista, é preciso deixar "as coisas claras". Ele repetiu sua fala de que o homem público tem que prestar contas de tudo o que faz e destacou que tem se colocado à disposição. Disse ainda já ter dado seus esclarecimentos, colocado seus sigilos à disposição da Justiça. "Sou responsável pelos meus atos", disse.

Renan reclamou de não ter acesso às investigações que o envolve - é alvo de seis inquéritos -, sendo, destacou, geralmente informado nos corredores pela imprensa. O peemedebista disse ter autorizado, como presidente do PMDB alagoano, agentes da Polícia Federal a entrarem na sede do diretório regional para realizar na terça-feira, 15, as buscas e apreensões decorrentes da nova fase da Operação Lava Jato.

"Sempre fui responsável pelos meus atos. Abri mão dos meus sigilos. Prestei informações. Agora, você manter uma circunstância dessas, por interpostas pessoas, citando de maneira combinada determinados agentes políticos em delação, é um horror", criticou.

Cunha. Mais cedo, Renan não quis comentar o pedido feito ontem e antecipado pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, e pelo portal estadao.com.br, pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento de Cunha do comando da Câmara. Ele disse que não teve acesso às informações sobre o caso e ainda chegou a, em tom de brincadeira, pedir ajuda aos jornalistas para saber se descobre os casos que o envolvem - Renan responde a seis inquéritos decorrentes das investigações da Operação Lava Jato.

 

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