Renan diz estar 'à disposição' e depõe nesta quinta-feira

Presidente do Senado antecipa prazo de 10 dias para preparar sua defesa e será ouvido pelos três relatores

22 de agosto de 2007 | 17h18

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), disse nesta quarta-feira, 22, estar à disposição para prestar esclarecimentos ao  Conselho de Ética, sobre a  primeira representação que pesa contra ele. Ele antecipa prazo de dez dias que tinha para preparar sua defesa.  "Informo ao plenário que estou me colocando à disposição dos três relatores para amanhã prestar esclarecimentos definitivos.   Veja também:    Cronologia do caso Renan     Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação  Veja especial sobre o caso Renan  Laudo da PF derruba argumentos de defesa de Renan Perícia da PF agrada aliados e adversários de Renan Calheiros         "A comissão de ética já estabeleceu que amanhã ouviremos Renan.  O senador Renan mais uma vez por si e pelo seu assistente técnico da pericia abre mão de prazo de 10 dias e se antecipa para que em menos de 48 horas, compareça à comissão para prestar suas defesas e ser questionado pelos três relatores", disse o relator e aliado  de Renan, Almeida Lima (PMDB), durante sessão no Senado. Renan será ouvido pelo conselho nesta quinta-feira,  às 18 horas.     O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), havia dito que Renan tinha até a próxima segunda-feira o prazo para se defender da acusação da primeira representação movida contra ele. Nessa representação, Renan é suspeito de ter tido suas contas pessoais pagas pelo lobista da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo.    A convocação foi feita logo após a comissão ter recebido o resultado da perícia da Polícia Federal, sobre os documentos apresentados por Renan para justificar disponibilidade de recursos para pagar suas despesas pessoais.   O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), deve encaminhar ao Conselho de Ética ainda nesta quarta requerimento de convocação de uma acareação entre Renan Calheiros e o usineiro alagoano e ex-deputado João Lyra, que afirma tem comprado, em parceria com o senador, duas emissoras de rádio em Alagoas em nomes de laranjas.   'Pontos favoráveis'     Em um discurso de um minuto, Renan  enumerou os pontos que lhe são favoráveis no laudo pericial feito pela Polícia Federal dos documentos que ele apresentou ao conselho para tentar prova que recebeu R$ 1,9 milhão com venda de gado de suas fazendas nos últimos quatro anos.   Renan  informou que teve acesso a uma cópia do laudo e que a perícia da PF "sustenta as afirmações" que ele vem fazendo "desde o início deste doloroso processo."   Renan  afirmou que ficou claro que todos os documentos contábeis que apresentou são autênticos, que o gado foi vendido a preço de mercado e que o dinheiro das vendas foi deposito na sua conta bancária.   Laudo   O laudo aponta inconsistências na evolução patrimonial de Renan, sobretudo em 2005, e não prova, como ele queria, que saiu de seu bolso o dinheiro para pagar a pensão da jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha fora do casamento.   Os saques, que ele apresentou como prova, não batem com os valores nem as datas de entrada de dinheiro na conta de Mônica.   Conforme os peritos, não há uma só prova da transferência direta de Renan para Mônica, como um cheque ou valor retirado da sua conta e depositado ou transferido diretamente para a conta da jornalista.   O dinheiro que o parlamentar diz ter destinado a Mônica não tem conexão com os valores que ela alega ter recebido, em envelopes mensais, das mãos do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Além disso, segundo o laudo, os papéis entregues pela defesa não são suficientes para confirmar a capacidade econômico-financeira de Renan para custear a pensão.   Os documentos não provam sequer que Renan vendeu, como alega, 2.200 bois ou faturou R$ 1,9 milhão com atividades rurais em quatro anos. Isso porque ele entregou como provas notas fiscais que não batem com as guias de transporte animal (GTAs) nas quantidades, nos valores ou nas datas.   Os papéis também não comprovam a entrada do dinheiro na sua conta como fruto dos negócios com gado e a quantidade de vacinas indica diferença no tamanho do rebanho. Há "diversas inconsistências verificadas nos documentos", atestam os peritos.   A perícia diz que não é possível ter certeza, com base na documentação, de que a quantidade de gado supostamente vendida seja mesmo do senador.   "Devido a diversas inconsistências verificadas nos documentos examinados e, também, por não ter disponibilizado conjunto de documentos que ateste a propriedade do gado", explica.     (Colaborou Ana Paula Scinocca, do Estadão)   Texto atualizado ás 18 horas  

Tudo o que sabemos sobre:
Caso Renan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.