Renan divide Senado e partidos já contabilizam traições

O clima é tenso e o comportamento dossenadores, dúbio. A votação secreta que decidirá o futuro dosenador Renan Calheiros (PMDB-AL) na quarta-feira encontra ospartidos divididos ou com a expectativa de traições nasbancadas que fecharam posição. Pelas contas de aliados do presidente do Congresso e atémesmo de oposicionistas, Renan tende a ser absolvido por umamargem estreita de votos. Mas o temor de uma permanência dacrise pode mudar o cenário. Renan enfrenta seu primeiro de outros três possíveisjulgamentos no plenário confiante de que tem força para escaparda cassação. A dificuldade maior, no entanto, viria depois. Alguns de seus aliados não escondem nos bastidores aavaliação de que são poucas as chances de sobrevivência mesmoque o peemedebista ultrapasse este primeiro obstáculo. Elestentarão convencê-lo a se afastar do posto. Há duasalternativas, renúncia ou licença máxima de 120 dias, ambasdescartadas pelo peemedebista. São necessários pelo menos 41 votos para cassar um senador.Isso significa, por exemplo, que se a oposição colocasse 40votos favoráveis à perda do mandato e os aliados de Renan, 39,ele seria absolvido por insuficiência de votos. Formalmente, o número de abstenções conta a favor dopresidente do Congresso. Politicamente, caberá a ele atrair, nomínimo, 41 votos a seu lado para mostrar que, apesar do"calvário" que diz viver há três meses, ainda detém o apoio damaioria absoluta dos pares para comandar a Casa. O único cenário satisfatório para Renan Calheiros seriaconquistar em plenário um resultado próximo do que teve naúltima eleição para a Mesa Diretora, 51 votos. Só assim,avaliam parlamentares, ele reaglutinaria forças e ganhariamusculatura para sobreviver a novos julgamentos. Independentemente do resultado, o processo de sucessão àpresidência do Senado já começou, e o primeiro nome a serventilado foi o de José Sarney (PMDB-AP). A oposição já reagiuà idéia e fala no nome de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), queapesar de correligionário de Renan e Sarney não integra a basede apoio do governo.

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