Renan discute com senador e diz que Casa virou 'delegacia'

Presidente do Senado interrompe discurso de Demósthenes Torres e diz que está 'confortável' na sua posição

CIDA FONTES, Agencia Estado

09 Outubro 2007 | 18h26

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o  senador Demostenes Torres (DEM-GO) discutiram durante sessão nesta terça-feira, 9. Torres, que discursava da tribuna, foi interrompido pelo presidente da Casa quando citou o assessor Francisco Escórcio, acusado de espionagem. Renan disse que o Senado virou uma "delegacia de polícia".   Veja Também: Da tribuna, Renan culpa 'mau jornalismo' por denúncias Renan afasta funcionário acusado de espionar senadores adversários Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Assessor de Renan nega esquema espionagem contra senadores Suposta espionagem contra senadores reduz apoio a Renan   "Eu já o afastei,  já pedi uma sindicância, transformaram o Senado em uma delegacia da Polícia Federal, o que vocês querem com isso?", disse Renan. Torres rebateu: "não, o que você fez com o Senado, senhor presidente".     Em seguida à fala de Torres, o também democrata José Agripino subiu à tribuna para discursar. Em meio ao discurso do oposicionista , Renan deixou a sessão.     Vários senadores foram enfáticos nos discursos em plenário nesta terça sobre a impossibilidade de Renan continuar no cargo após as recentes denúncias de espionagem para intimidar adversários políticos e a "caça às bruxas", promovida pelo senador que tirou da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) dois de seus desafetos: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS).   Falando "em nome do Senado", o gaúcho Simon fez apelo a Renan. Segundo Simon, Renan "terá muito mais chance de ser absolvido licenciado do que permanecendo no cargo" e acrescentando também que seria um "ato de grandeza e heroísmo". Renan permaneceu impassível e ao responder ao apelo afirmou: "Já estou encerrando o meu tempo e não vou conceder aparte para não fazer disso um debate."   O senador Aloizio Mercadante pediu a palavra para dizer que a situação de Renan é institucionalmente inaceitável e quase travaram um bate-boca. Renan saiu da tribuna e deixou Mercadante falando sozinho. Em seguida, a líder do PT, Ideli Salvatti, reforçou o pedido de afastamento de Renan e disse que neste momento não adianta "tapar o sol com a peneira", pois o sentimento geral é que Renan fique fora do cargo.   O senador petista Eduardo Suplicy também defendeu a saída de Renan da presidência, assim como o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio. Para o tucano, a saída de Renan é indispensável para o 'funcionamento da Casa'. "Estou indisposto com a idéia do senhor na presidência da Casa. Chegamos a um ponto que não podemos mais ir além".   O senador Jefferson Péres também ocupou a tribuna do Senado nesta terça-feira, 9, para mais uma vez pedir a saída de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência da Casa. Péres foi direto ao ponto e resumiu seu pedido em uma única frase: "Renan não tem mais condições de presidir o Senado Federal", e deixou a tribuna. A expectativa é que vários senadores - da base e da oposição - façam discursos contra Renan na tarde desta terça.   sobre a espionagem a que estaria sendo vítima, para afirmar, sentado na cadeira da presidência do plenário: "Estou aqui absolutamente confortável", Demóstenes contou aos senadores como foi feita a espionagem comandada pelo assessor de Renan, o ex-senador , reproduzindo, inclusive, a gravação de uma conversa. Os senadores consideraram que Renan foi moderado ao determinar o afastamento de Escórcio de seu gabinete. O senador Marconi Perillo (PSDB-GO), também alvo da espionagem, defendeu a demissão sumária de Escórcio.

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