Renan deve obter apoio fechado do PDT à sua reeleição

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve obter nesta quarta-feira o apoio fechado da bancada do PDT à sua reeleição. Segundo o líder pedetista, Osmar Dias (PR), é esta a tendência dos quatro senadores do partido, que se reúnem nesta manhã para tirar uma posição comum na sucessão do Senado. A adesão do PDT é considerada decisiva na disputa entre o PMDB de Renan e o PFL do líder no Senado, José Agripino Maia (RN). Se o PDT fechar com Renan, a candidatura do PFL, segundo um dirigente da legenda, será ferida de morte. Como o senador eleito João Durval (PDT-BA) já é dado como voto certo em favor de Renan, embora nem sequer tenha tomado posse, conquistar a bancada pedetista é o mesmo que garantir cinco votos de uma tacada só. Na contabilidade eleitoral, em que os votos são contados em dobro quando migram de um candidato para o adversário, o apoio dos cinco pedetistas significam uma vantagem de dez votos para o peemedebista. Para obter o compromisso de voto do PDT, Renan garantiu à bancada que a presidência da Comissão de Educação será reservada ao senador Cristovam Buarque (PDT-DF), na partilha dos postos de comando do Senado. Embora tanto Cristovam quanto o líder Osmar Dias tenham perfis oposicionistas em relação ao Palácio do Planalto, nenhum dos dois faz reparos à atuação de Renan na presidência, a despeito do propalado apoio do presidente Lula à reeleição. "Ao contrário - observou Dias, considero que ele (Renan) está sendo um presidente bem democrático e muito justo com a oposição. Ele não tem dificultado em nada nossa atuação", completou. O que existe, segundo o líder pedetista, é a avaliação de que um presidente de oposição ao Planalto no Senado faria "um contraponto" ao governo. "Mas não adianta ter contraponto na presidência da Casa, se o PDT não tiver espaço de atuação no Congresso", explicou Dias, ao ressaltar que, por outro lado, é "radicalmente contra" a tese de o PDT ocupar cargos no governo Lula. A despeito da articulação de Renan com o PDT, Agripino marcou para o início da tarde um almoço com a bancada do PSDB no Senado e revela-se otimista: "Acho que dará para fechar o apoio de toda a bancada tucana. Minha expectativa é esta". Nos bastidores, no entanto, a disposição do tucanato é aguardar até que o pefelista "demonstre viabilidade eleitoral". A cúpula tucana argumenta que já apoiou Agripino para o posto de vice de Geraldo Alckmin na disputa presidencial, mas que o pefelista não conseguiu fechar seu partido, como prometera. Por isso mesmo, exigem, agora, que ele comprove que tem cacife real para ganhar a eleição. Embora o cenário pareça mais favorável ao PMDB, Renan está preocupado. As contabilidades do PFL e do PMDB apontam pelo menos 20 votos flutuantes, que podem ir de um lado para outro e virar a eleição. Trata-se de um grupo que, segundo líderes ligados às duas candidaturas, é formado por parlamentares de pouca expressão política nacional e muitos interesses. "É o baixo clero do Senado", define um pefelista experiente, ao ressaltar que "essa gente sempre dá trabalho". Diante disso, Renan decidiu imprimir força máxima à tática de tentar inviabilizar a candidatura de Agripino, em nome do consenso. Nas conversas de bastidor, o peemedebista tem defendido a formação de uma chapa única para compor a Mesa Diretora do Senado, de acordo com a regra da proporcionalidade, levando-se em conta o tamanho das bancadas. Não que Renan vá excluir os pefelistas de sua chapa, caso Agripino leve sua candidatura ao plenário. Apenas avisou que vai compor a direção com nomes que não representam a cúpula do partido, como o senador Edison Lobão (PFL-MA), ligado ao grupo do senador José Sarney (PMDB-AP). Não será fácil o PFL reverter a tendência pedetista pró-Renan. Além de não ter obtido do pefelista o compromisso de reservar a presidência da Comissão de Educação para o partido, o PDT revela-se magoado com Agripino por outra razão. Ao anunciar sua disposição de disputar com Renan, diante das câmeras de televisão, o líder disse que o apoio fechado do "PSDB e PFL" eram fundamentais à sua candidatura. Excluiu o PDT, repetindo o mesmo "esquecimento" que motivou seguidas queixas de pedetistas este ano, sempre que Agripino convocava os líderes de oposição para se reunirem no Senado e deixava o partido de fora.

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