Renan deve enfrentar nesta 4ª novo pedido de cassação

Parecer sobre caso dos 'laranjas' deve acusar Renan, enquanto o do caso Schin, sugerir o arquivamento

AE, Agencia Estado

14 de novembro de 2007 | 08h36

O senador Jefferson Péres (PDT-AM) deve pedir nesta quarta-feira, 14,  a cassação do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no relatório da representação em que ele é acusado de ter usado laranjas na compra de duas rádios e um jornal em sociedade com o usineiro João Lyra, em Alagoas. Já o senador João Pedro (PT-AM) tende a propor o arquivamento da representação em que Renan é acusado de favorecer a cervejaria Schincariol na negociação de dívidas com o INSS e a Receita Federal.   Veja também: Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Os dois senadores apresentam seus relatórios nesta quarta ao Conselho de Ética da Casa. Se não houver nenhum pedido de vista ou acordo para adiar a discussão, eles podem ser votados hoje mesmo. Nenhum dos relatores quis revelar o teor de seus pareceres. ?Eu não vou adiantar o meu parecer em respeito aos colegas do Conselho de Ética?, argumentou Péres. "Vocês somente ficarão sabendo da minha decisão no dia da votação", disse João Pedro aos jornalistas.Entre os assessores de Renan, a expectativa mais pessimista é de que o Conselho de Ética aceite as acusações da representação relatada por Péres e ele acabe sendo julgado pelo plenário. O senador Almeida Lima (PMDB-SE), fiel aliado do presidente licenciado do Senado, vai tentar uma manobra para evitar a aprovação do relatório do pedetista: apresentará um voto em separado no Conselho, alegando que, da mesma forma que o senador Gim Argello (PMDB-DF), Renan não pode ser condenado por supostos atos praticados antes de ser eleito para a Casa. "A suposta compra aconteceu em 2002, antes de ele ter sido eleito senador", argumentou.Uma quarta representação, relatada por Almeida Lima, pode ser arquivada sem nem ser apreciada. O processo, apresentado pelo PSOL, acusa Renan de envolvimento com um suposto esquema de propinas em ministérios comandado pelo seu partido, o PMDB. ?Não existe fato ou denúncia. Eu estou estudando a possibilidade de não apresentar o relatório, mas isso ainda não está definido. O certo é que não existe fato contra Renan, nem mesmo uma acusação", disse Almeida Lima, ao explicar por que não apresentará seu parecer.Apesar disso, o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), afirmou na terça que vai trabalhar até o início da sessão desta quarta, marcada para as 14 horas, para que Almeida Lima também apresente seu relatório. ?Vamos tentar liquidar a fatura logo?, avisou. A idéia é resolver os três processos até dia 22, mesmo se tiverem de ir a plenário. A licença de Renan da presidência do Senado termina dia 25. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.   Governador de AL   Na última terça, em depoimento, o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), disse que jamais ouvira falar que Renan tivesse qualquer participação em empresas de comunicação, antes de surgirem as denúncias contra o parlamentar alagoano.   "Durante a campanha eleitoral de 2006, João Lyra nunca falou nada sobre sociedade oculta ou propina para renovação de rádio, apesar de ter falado até da mãe de Renan Calheiros", testemunhou o governador. Segundo os advogados José Fragoso e Davi Rios, Teotonio Vilela não poupou críticas ao autor (Lyra) das denúncias contra Renan. "A grande máxima de Lyra é: 'Quando o dinheiro ou a chibata não resolvem, é porque um dos dois foi pouco'." "O João Lyra não tem limites quanto aos procedimentos de campanha", afirmou Teotonio, que disputou o governo estadual em parceria com Renan e venceu o adversário. "Ele não mede nada para conseguir seus objetivos", acrescentou. Segundo Teotonio, Lyra fez, durante a campanha, agressões pessoais. "Como Renan foi meu aliado, Lyra transfere muito a ele a responsabilidade pela sua derrota", disse o governador. E acrescentou: "Ele (Lyra) largou tudo, suas usinas, para se dedicar a esse ódio a Renan e a mim".

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