Renan deve apresentar defesa no caso Schincariol

Nesta representação, presidente do Senado é acusado de favorecer cervejaria politicamente

Rosa Costa, Agencia Estado

04 Setembro 2007 | 10h39

O prazo para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), apresentar defesa escrita ao relator do Conselho de Ética, no processo em que é suspeito de ter favorecido a Schincariol, termina nesta terça-feira, 4. Esta é a segunda representação contra Renan. Ele é acusado de ter favorecido a empresa junto ao INSS, impedindo a execução de uma dúvida de R$ 100 milhões, o que ele nega. Em troca a cervejaria teria pago em uma fábrica da família Calheiros R$ 27 milhões, quando não valia mais de R$ 10 milhões.  Indicado para o cargo pela líder do PT, Ideli Salvatti (SC), o relator João Pedro (PT-AM), já deu indícios que mandará arquivar a denúncia.  Veja também: Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Cronologia do caso RenanEm semana decisiva, Renan pode enfrentar quarto processoNova denúncia: Renan tem de explicar propinas   Primeiro enfrentamento Na quarta-feira, o Conselho de Ética julgará a primeira denúncia contra Renan, sobre a suspeita de pagamento de suas contas pessoais por um lobista da Mendes Júnior. Convencido de que será derrotado, Renan quer garantir a derrubada no plenário do parecer que pede a cassação de seu mandato, feito pelos relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS).  Os aliados abandonaram a idéia de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar o Conselho de Ética a apreciar o parecer em votação sigilosa. Três pontos pesaram na decisão: a certeza de que o tribunal iria considerar tratar-se de questão interna, que deve ser resolvida pelo próprio Senado; poderia parecer mais uma manobra e, por fim, houve o temor de que o STF defendesse o voto aberto. A estratégia é convencer os senadores a absolvê-lo em votação do plenário, onde o peemedebista deve contar com o apoio de petistas fiéis ao comando do Planalto. A votação em plenário deve ocorrer na semana que vem. Antes, o parecer aprovado no conselho será submetido à Comissão de Constituição e Justiça, encarregada de atestar a admissibilidade da representação.  Nova denúncia Autor de duas das três representações contra Renan, o PSOL deve discutir nesta terça-feira se entra ou não com um novo processo contra Renan. Segundo a assessoria de imprensa do partido, é "muito provável" que o PSOL entre com o quarto pedido de investigação sobre o senador, por suposto esquema de recebimento de propina. O DEM também vai analisar se entra com nova representação contra Renan no Conselho de Ética.  O esquema de propinas teria a participação de integrantes do PMDB. Em entrevista à revista Época, o advogado Bruno de Miranda Lins, ex-marido da assessora parlamentar de Renan e afilhado de casamento do senador, disse que o ex-sogro, o empresário Luiz Carlos Garcia Coelho, operava um esquema de arrecadação de dinheiro para o presidente do Senado em ministérios chefiados pelo PMDB.  O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou que vai incluir nas investigações sobre as novas denúncias a acusação de que o líder do governo, senador e ex-ministro Romero Jucá (PMDB-RR), também estaria envolvido em suposto esquema de desvio de dinheiro público em ministérios comandados pelo PMDB.  Tuma também vai convidar Bruno de Miranda a depor no Senado. Vai ainda consultar a Polícia Federal sobre o inquérito e pedir cópia da documentação que está sendo investigada. A terceira representação já aberta contra o presidente da Casa é por suposto uso de laranjas na compra de emissoras de rádio em Alagoas.   (Colaborou Ana Paula Scinocca)

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