Renan desiste de CPI do Ministério Público, mas articula contra Janot

Peemedebista considera mais fácil vetar reeleição de procurador-geral; investigados reclamam de inquéritos na tribuna

JOÃO DOMINGOS, ERICH DECAT / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2015 | 02h01

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), desistiu da ideia de encampar uma CPI para investigar o Ministério Público. Decidiu, como forma de retaliar o Ministério Público por tê-lo incluído na lista de suspeitos de participar de um esquema de corrupção na Petrobrás, apostar em uma articulação para rejeitar a recondução do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, cujo mandato vence em setembro.

A avaliação é a de que seria difícil obter assinaturas para abrir uma comissão tendo em vista o receio de muitos parlamentares de abrir uma guerra contra o Ministério Público. Por isso a estratégia de minar a reeleição de Janot. De acordo com informações de senadores ligados a Renan, alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal, hoje não haveria nenhuma chance de recondução de Janot.

O cargo de procurador-geral depende da aprovação dos senadores, tanto na primeira indicação quanto na recondução. Janot já está em campanha. Ele vinha fazendo visitas constantes aos senadores para pedir voto. Com a abertura das investigações, a situação dele piorou.

Contra-ataques. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), subiu à tribuna da Casa ontem para dizer que o procurador foi "seletivo" ao recomendar o arquivamento de quatro investigações e abertura de dezenas de outras. "O procurador-geral da República é o homem mais poderoso da República, porque ele tem o poder de acusar ou de inocentar alguém antes desse alguém ser julgado - porque no Brasil é assim: o nome saiu, é bandido; o nome é citado, é ladrão."

O senador Fernando Collor (PTB-AL) também criticou Janot da tribuna da Casa. "Constatamos até aqui, mais uma vez, que só nos resta lamentar a postura parcial e irretratável frente a todo o processo de um grupelho instalado no Ministério Público que, oportunamente, passou a influenciar e a ditar a atuação do procurador-geral da República", afirmou o senador.

Nas conversas com integrantes do PMDB logo após a divulgação da chamada "lista de Janot", na sexta-feira, Renan chegou a manifestar o desejo de criar uma CPI. Ele afirmou que a relação de investigados foi montada pelo procurador-geral por influência política do Palácio do Planalto. O presidente do Senado considerou suspeita a notícia de que a casa do procurador foi invadida e criticou as reuniões que ele teve com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, antes da divulgação da lista.

Tudo o que sabemos sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.