Renan deixa sessão em meio a discurso de oposicionista

Sessão desta terça-feira é marcada por bate-boca e afastamento de assessor do presidente do Senado

09 Outubro 2007 | 18h18

Em sessão tensa, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),  deixou  o plenário nesta terça-feira, 9,  em meio a discurso do oposicionista José Agripino (RN), líder do Democratas, que pedia o afastamento do presidente da Casa . "Não vou perder meu tempo pedindo a saída do presidente. O que temos que fazer é votar no Conselho de Ética, mas não, querem "empurrar com a barriga", até o Natal, Ano Novo essas representações", disse Agripino. Ao final de cinco meses de crise Renan viveu nesta terça um dia diferente. Continuou resistindo, dizendo que não deixa a presidência do Congresso, mas chegou ao final do dia claramente mais isolado e sem poder contar com o apoio da bancada do PT. A senadora e líder dos petistas, Ideli Salvati (SC), foi direto ao ponto: "Não adianta querer tapar o sol com a peneira: há um sentimento crescente de que o melhor é o afastamento", afirmou Ideli. Renan assistiu tenso e abatido à mais dura sucessão de ataques, desde o início da crise, em que senadores governistas e de oposição se sucederam na tribuna, pedindo sua renúncia. "Fechou o cerco", avaliou ao final do dia o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Veja Também:Da tribuna, Renan culpa 'mau jornalismo' por denúncias Renan afasta funcionário acusado de espionar senadores adversáriosCronologia do caso  Entenda os processos contra Renan Assessor de Renan nega esquema espionagem contra senadoresSuposta espionagem contra senadores reduz apoio a Renan  Antes de sair, Renan discutiu com o também democrata Demósthenes Torres, que discursou da tribuna também."Transformaram o Senado em delegacia da PF, o que vocês (oposição) querem com isso?", disse Renan.Exaltado, Torres rebateu Renan:  "não , o que você senhor senador fez com a Casa".  Pouco antes, Renan, em um pronunciamento vacilante, em que alternava momentos de aparente calma e autoritarismo, frustrou aqueles que esperavam o anúncio da exoneração de seu assessor Francisco Escórcio, acusado de armar um esquema para bisbilhotar os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).  Também ficou na retórica ao defender-se da acusação de ter investigado as prestações de contas da verba indenizatória dos 81 senadores, conforme o Estado revelou nesta terça. Renan anunciou apenas a investigação do caso de susposta espionagem e afastou o funcionário de seu gabinete. Durante a sessão, vários  senadores- tanto da base aliada como da oposição- foram enfáticos nos discursos em plenário nesta terça sobre a impossibilidade de Renan continuar no cargo após as recentes denúncias de espionagem para intimidar adversários políticos e a "caça às bruxas", promovida pelo senador que tirou da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) dois de seus desafetos: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS).  Falando "em nome do Senado", o gaúcho Simon fez apelo a Renan. Segundo Simon, Renan "terá muito mais chance de ser absolvido licenciado do que permanecendo no cargo" e acrescentando também que seria um "ato de grandeza e heroísmo". Renan permaneceu impassível e ao responder ao apelo afirmou: "Já estou encerrando o meu tempo e não vou conceder aparte para não fazer disso um debate." O senador Aloizio Mercadante pediu a palavra para dizer que a situação de Renan é institucionalmente inaceitável e quase travaram um bate-boca. Renan saiu da tribuna e deixou Mercadante falando sozinho. Em seguida, a líder do PT, Ideli Salvatti, reforçou o pedido de afastamento de Renan e disse que neste momento não adianta "tapar o sol com a peneira", pois o sentimento geral é que Renan fique fora do cargo.  O senador petista Eduardo Suplicy também defendeu a saída de Renan da presidência, assim como o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio. Para o tucano, a saída de Renan é indispensável para o 'funcionamento da Casa'. "Estou indisposto com a idéia do senhor na presidência da Casa. Chegamos a um ponto que não podemos mais ir além".  O senador Jefferson Péres também ocupou a tribuna do Senado nesta terça-feira, 9, para mais uma vez pedir a saída de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência da Casa. Péres foi direto ao ponto e resumiu seu pedido em uma única frase: "Renan não tem mais condições de presidir o Senado Federal", e deixou a tribuna. A expectativa é que vários senadores - da base e da oposição - façam discursos contra Renan na tarde desta terça.   

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