Renan deixa o cargo 'empurrado por escândalo', diz 'Clarín'

Jornal comenta que licença de presidente do Senado ocorre após 5 meses de crise.

BBC Brasil, BBC

12 de outubro de 2007 | 06h50

O presidente do Senado do Brasil, Renan Calheiros, deixou o cargo na noite de quinta-feira "após arrastar uma crise que se prolongou por cinco meses, quando aflorou sua relação extraconjugal com uma ex-jornalista transformada em 'coelhinha' da capa da Playboy", relata reportagem publicada na edição desta sexta-feira do diário argentino Clarín.O jornal comenta que se trata oficialmente de uma licença de até 45 dias, mas que "sua mensagem, gravada diante da TV, revelou que é uma saída sem retorno".A reportagem observa que "não foram suas intimidades sentimentais que provocaram sua saída". "Os 150 dias de crise deixaram claro que ele pagava uma pensão a sua ex-amante jornalista, pela filha que têm em comum, com fundos procedentes de subornos de construtoras", diz o jornal.O Clarín comenta ainda que "apesar de sair da presidência da Câmara Alta, Calheiros conserva seu mandato como senador, condição que lhe dá certa imunidade".O jornal afirma que Renan Calheiros "concentrou poder parlamentar ao longo de vários períodos" e que sua saída "permitirá ao governo de Lula sair da paralisia em que se encontrava o Congresso por causa das denúncias contra Renan".A reportagem diz que a necessidade do governo Lula de aprovar no Senado a prorrogação da CPMF, o imposto sobre movimentações financeiras, teria sido um dos fatores que contribuiu para pressionar Calheiros "a deixar o campo parlamentar limpo para que o governo possa contar com essas votações-chave".O caso também foi tema de uma reportagem publicada na edição online do jornal espanhol El País, que afirma que Calheiros "resistia como um leão a deixar o cargo, convencido de que uma vez que voltasse a ser um simples senador não poderia retomar o cargo e seria mais facilmente condenado".O jornal observa que ele foi absolvido em votação sobre o caso dos pagamentos feitos à ex-amante - "que apareceu nua na quarta-feira na revista Playboy, que se esgotou nas bancas do Congresso", segundo informa o texto -, mas que ainda enfrenta outros quatro processos.A reportagem relata que "a oposição tinha anunciado um boicote a todas as votações se Calheiros seguisse à frente do Senado" e que "ontem mesmo havia sido criado no Congresso um abaixo-assinado com assinaturas de deputados e senadores tanto da oposição como do governo pedindo sua saída".O jornal conclui dizendo que "em seu discurso, Calheiros disse que deixava a presidência 'pelo bem do país', dizendo: 'o poder é transitório e a honra permanente, e esta não sacrifico por nada'". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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