Renan deixa governo em 'sinuca' para votar CPMF, diz líder

Onyx, do DEM, diz que, se antes o senador era importante para aprovar prorrogação, agora é entrave

CIDA FONTES, Agencia Estado

10 de outubro de 2007 | 12h56

Contrário à proposta que prorroga a cobrança da CPMF, o líder do DEM na Câmara, Onyx Lorenzoni (RS), prevê dificuldades para o governo para aprovar o projeto no Senado. A presença do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no cargo é considerada um grande obstáculo para a prorrogação da contribuição. Para ele, o governo está um uma "sinuca" no Senado porque, se Renan era importante para aprovar a CPMF em um primeiro momento, agora passou a ser um entrave. Veja Também: Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan   Especial: entenda a cobrança da CPMF  Na avaliação do líder, o governo já corre o risco de não conseguir votar a proposta no Senado neste ano e, por conseqüência, perderá arrecadação. "O cálculo político do governo não contava com a capacidade interminável de Renan produzir lambança", disse Lorenzoni. Na Câmara, a proposta foi aprovada em sessão que terminou nesta madrugada.  Lorenzoni reafirmou que a relatora da proposta de CPMF no Senado, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), usará os 30 dias de prazo que tem para apresentar o seu parecer. O líder do DEM lembrou que, na Câmara, onde o governo tem maioria ampla, a CPMF levou quase seis meses para ser aprovada. "Isso com o governo usando toda a máquina, retirando medidas provisórias e desfigurando o projeto do Programa de Segurança Pública", comentou Lorenzoni.   Renan preocupa governo  Além da oposição, Renan já é visto pelo governo como obstáculo para aprovar a CPMF no Senado. Preocupado com a escassez de votos e o prazo exíguo de tramitação da emenda constitucional que prorroga a CPMF, o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR), disse esperar que, até o final de novembro, a crise envolvendo Renan esteja resolvida e não atrapalhe a votação.        Jucá foi enfático: "Não temos prazo e não temos votos", afirmou. Segundo seus cálculos, o governo ainda não tem no Senado os 49 votos necessários para aprovar o texto da CPMF, aprovado na última noite, em segundo turno,  pela Câmara.A expectativa de Jucá é de que a emenda da CPMF chegue ao plenário do Senado no final de novembro. "Tenho fé e esperança que até lá a crise esteja resolvida", disse. O senador acrescentou que não vai propor aos partidos da oposição a redução dos prazos para acelerar a votação. "Não vamos quebrar prazos. Vamos cumprir o regimento", disse.Assim que chegar ao Senado, a emenda de prorrogação da CPMF será submetida à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e terá como relatora a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Nesta quarta, Romero Jucá pediu ao senador Marco Maciel (DEM-PE) que elabore com a senadora um cronograma das audiências públicas.A idéia do líder governista é a de fazer uma sessão conjunta da CCJ com a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e Comissão de Infra-Estrutura para ouvir uma exposição do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Como já existe requerimento para que ele seja convocado para a CAE, Jucá entende que poderia fazer tudo no mesmo dia.   

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