Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Renan defende transferência de Serra para o Planejamento

Possibilidade foi debatida em reunião na residência oficial da presidência do Senado logo após a demissão de Jucá do governo; avaliação é que o gestão Temer carece de quadros mais qualificados em postos-chaves

Adriano Ceolin, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2016 | 22h00

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem defendido nos bastidores a transferência de José Serra (PSDB) do ministério das Relações Exteriores para o Planejamento, inicialmente ocupado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR). Nas conversas que manteve com aliados na segunda-feira, 23, Renan ponderou que a ida de Serra para o núcleo de decisões econômicas amarraria mais o PSDB ao governo do presidente em exercício Michel Temer.

Conforme o Estado apurou, a possibilidade de Serra no Planejamento foi debatida numa reunião na residência oficial da presidência do Senado na tarde de segunda-feira logo após a demissão de Jucá do governo. O líder do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira (CE), e o próprio Jucá também teriam participado da conversa. A avaliação do grupo é que o governo Temer carece de quadros mais qualificados em postos-chaves.

A interlocutores próximos, Renan lembrou que os secretários-executivos Tarcísio Godoy, da Fazenda, e Dyogo Oliveira, do Planejamento (e agora ministro interino da pasta), ocuparam cargos de relevância na administração Dilma Rousseff (PT). "Eles são do governo das pedaladas", teria dito Renan, segundo uma fonte. Oliveira foi secretário-executivo do ex-ministro Nelson Barbosa. Já Godoy trabalhou na Secretaria do Tesouro, sob o comando de Arno Augustin.

O presidente do Senado também tem comentado com colegas que as medidas apresentadas pela equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foram originalmente gestadas dentro do Senado. Entre elas, a lei de responsabilidade das estatais, o projeto que muda a partilha do pré-sal, e as regras de governança para funcionamento dos fundos de pensão. As três constaram no documento chamado Agenda Brasil, apresentado por Renan no ano passado.

Eduardo Cunha. A ideia de emplacar Serra no núcleo de decisões econômicas tem como estratégia minimizar o tamanho da força do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no governo Temer. Para Renan, a administração interina "tem muito a cara de Cunha". Isso teria ficado claro na formação do Ministério e da também na escolha do líder do governo da Câmara. Indicado por Cunha, o deputado André Moura (PSC-SE) ficou com o posto. Apesar do apoio de Renan, Serra não quer ouvir falar numa mudança para do Itamaraty. "Durante a viagem à Argentina, ele foi questionado e disse que não tem o maior cabimento", afirmou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que acompanhou Serra nos compromissos em Buenos AIres. "Tenho certeza que ele não aceitaria esse convite", completou.

Um dos empecilhos é a presença de Meirelles na Fazenda. Serra sempre foi crítico da gestão dele no Banco Central. Meirelles foi presidente da instituição durante os oito anos de mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). As críticas mais pesadas aconteceram durante a eleição presidencial de 2010, quando Serra perdeu para Dilma Rousseff. 

No primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998), Serra ocupou o ministério do Planejamento e, em algumas oportunidades, desentendeu-se com Pedro Malan, então ministro da Fazenda. "Mas agora é diferente. O Serra respeitava o Malan. O Meirelles, não", afirmou um parlamentar muito próximo ao ministro de Relações Exteriores.

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