Renan defende ´coalizão parlamentar´ com oposição

Um dos chefes do PMDB governista e candidato à reeleição na nova legislatura, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), defendeu nesta segunda-feira a formação no Congresso Nacional de uma "coalizão parlamentar", inclusive com a oposição, para votar uma agenda de interesse do País que inclua as reformas tributária e política. Ao seu lado, um dos principais líderes oposicionistas, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), retrucou com um sorriso achar a proposta "perfeita", mas destacou que, para que se realize, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá que ceder "muita coisa", como o Orçamento impositivo (que não pode ter verbas retidas pelo Executivo), o que até agora não aconteceu. E encerrou a entrevista com uma observação cheia de ironia."Cada um tem que dar um passo, agora não podemos dar o passo atravessando a rua", declarou, referindo-se à figura de linguagem que simbolizaria a disposição da oposição, formada por PFL, PSDB e PPS, para sair do Congresso e se dirigir ao Palácio do Planalto e conversar como presidente.Renan e ACM estiveram nesta segunda na sede do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCM-RJ), em solenidade para receber, com outras oito personalidades, o Colar do Mérito Ministro Victor Nunes Leal, uma comenda concedida pela corte. Foi no discurso que fez em nome dos homenageados que o presidente do Senado lançou sua proposição, destacando a responsabilidade de Lula no processo. "Cabe, agora, ao presidente reeleito estimular os debates e a votação das mudanças", discursou. "Cabe também ao presidente construir uma nova relação - institucional - com os partidos, mesmo os de oposição. E criar condições para a governabilidade, pré-requisito da estabilidade política e econômica."Após a solenidade, o presidente do Senado afirmou que fará tudo o que puder pela coalizão parlamentar. "Conversando com as lideranças, para ver se podemos avançar, não com relação a uma coalizão de governo, mas com relação a uma coalizão parlamentar de interesse do País", afirmou o senador, para quem a relação do Executivo com o Congresso terá que ser "antes de mais nada programática, ter um rumo". "Se não for assim, (o governo) vai repetir velhos erros, e o Congresso não está disposto a pagar novamente esse preço", advertiu. Além da reformas política e tributária, para reduzir a carga dos impostos, Renan defendeu a conclusão da reforma do Judiciário e a aprovação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) como parte da agenda."Tenho conversado com as lideranças partidárias e política, como o senador Antônio Carlos, aqui presente, para construirmos um clima propenso ao entendimento", discursou. "Há propostas da maior relevância que são do interesse do País, da sociedade, e estão muito acima de qualquer governo."ResistênciaDepois de elogiar a proposta, Antônio Carlos Magalhães afirmou julgar que as conversar devem começar pela Câmara e pelo Senado e só depois serem levadas ao governo. "O Palácio do Planalto pode até, através de seus líderes tomar essa iniciativa, mas não podemos dar um crédito aberto ao governo sem saber o que ele vai propor", afirmou. "Defendo uma agenda em que o governo ceda muita coisa que não está cedendo agora, como Orçamento impositivo, Medidas Provisórias e outras coisas importantes, sem as quais a democracia não funciona. A iniciativa tem que ser combinada com os líderes do governo no Congresso."

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