Renan cria máquina de divulgação nos Estados

Numa cruzada para expandir a exposição do trabalho dos parlamentares pelo País, especialmente nos seus Estados, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acelerou o ritmo de implantação de veículos oficiais de comunicação da Casa.

DÉBORA ÁLVARES E RICARDO BRITO, Agência Estado

17 Junho 2013 | 08h45

Ao custo de mais de R$ 15 milhões somente neste ano, Renan quer montar uma máquina de comunicação com o aumento da presença da TV e da Rádio Senado. Essa operação ocorre no momento em que o presidente alardeia que enxuga custos, com previsão de economia de R$ 316 milhões em dois anos.

A previsão é que, com a compra de equipamentos para a instalação de novos canais de televisão em 10 capitais, todos dotados de tecnologia digital, o Senado gaste R$ 12,7 milhões em 2013. A Casa também custeará, por mais de R$ 2,5 milhões até o final do ano, a aquisição de transmissores de rádio em nove Estados. Nos dois casos, o Senado terá de firmar parcerias com órgãos públicos locais para veicular a sua programação.

A estrutura de comunicação que vem sendo montada por Renan será maior do que a implementada pelo ex-presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) nos últimos quatro anos.

Nas duas gestões Sarney, sete canais de TV começaram a operar. Até completar um ano e meio na presidência, em julho do ano que vem, Renan quer instalar o canal institucional com tecnologia digital em outras 12 capitais: Palmas, São Luís, Goiânia, Boa Vista, Macapá, Belém, Teresina, Maceió, Curitiba, Porto Velho, Aracaju e Campo Grande. Em Cuiabá, João Pessoa e Rio de Janeiro, a Casa pretende melhorar o sinal de analógico de TV para o digital.

A expectativa é a de que Renan encerre sua presidência em 2014 com a TV Senado em 25 capitais. Somente Florianópolis e Vitória não tem, até o momento, previsão de sinal do canal para cobrir as atividades do Legislativo federal. Em Natal, Rio Branco e Salvador o sinal permanece analógico.

Os gastos com a ampliação dos veículos de comunicação do Senado contam com a simpatia de aliados e até oposicionistas, que podem se beneficiar eleitoralmente da medida. "Ele (Renan) está acelerando e ampliando até pela intenção de dar mais transparência às ações da Casa", afirmou o segundo vice-presidente do Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Tem que economizar em outras coisas, com a expansão da TV, não. É uma medida de transparência", defendeu o vice-líder do PSDB, Álvaro Dias (PR).

A máquina de comunicação não se restringe apenas à compra de equipamentos. Nove servidores, entre jornalistas, técnicos e engenheiros, foram designados para cuidar especificamente do projeto.

Eles integram o Grupo Estratégico da Expansão da TV e Rádio Senado.

Após retornar à presidência do Senado em fevereiro, depois de renunciar ao cargo em 2007 para evitar a cassação, Renan tem se esforçado em adotar uma política de visibilidade do trabalho dos senadores em seus Estados. A intenção é acabar com a ideia de que senador só trabalha de terça a quinta ao criar uma agenda positiva para eles, o que pode trazer benefícios eleitorais indiretos para quem for concorrer em 2014.

Estrutura. A Secretaria de Comunicação Social do Senado negou que a implantação da nova estrutura de comunicação seja fruto dos desejos do presidente. Recursos previstos em orçamento e condições técnicas para levar adiante o projeto teriam garantido a ampliação. A secretaria disse não ter informações sobre custos dos equipamentos de produção da TV e da rádio, já que grande parte do sistema atual foi adquirido na inauguração, há mais de 15 anos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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