Renan consulta aliados sobre licença da presidência do Senado

Fontes informaram ao Estado que o presidente da Casa já estaria com a carta de afastamento pronta

ROSA COSTA E VANNILDO MENDES, Agencia Estado

11 de outubro de 2007 | 16h06

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) consulta aliados nesta quinta-feira, 11, para discutir uma possível licença do cargo,   enquanto responde a processos por falta de decoro parlamentar. Fontes que estiveram com o senador nesta quinta,  disseram ao Estado que  ele já teria uma carta pronta pedindo seu afastamento do cargo por 120 dias para tratar de interesses particulares.   Veja também:     Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  'Fora, Renan! no Congresso prevê abaixo-assinado e protestos   O senador Edson Lobão(DEM-MA), que visitou Renan, disse que o encontrou "triste, abatido e tenso". Segundo Lobão, Renan não revelou se apresentará um eventual pedido de licença enquanto responde a processos por falta de decoro parlamentar, conforme comentários que voltaram a circular esta tarde no Senado.   A interlocutores com quem conversou por telefone, Renan contou que está sendo aconselhado por médicos a tirar uma licença de trinta dias para se recuperar da tensão acumulada em quase cinco meses em crise, desde que apareceram as denúncias de que um lobista da empreita Mendes Junior pagava despesas pessoais.   Na avaliação de Edson Lobão, a licença "melhora muito a posição de Renan".       A líder do PT, Ideli Salvatti (SC), também avalia que uma licença de Renan distensionará o ambiente político não só no que se refere ao desfecho do caso Renan como também permitirá a votação da CPMF. "A grande maioria do Senado, e não falo só da bancada do PT e dos aliados do governo, como também da oposição, todos querem que ele deixe a presidência mas, na verdade, o sentimento da maioria é no sentido de dar um jeito para que ele saia sem precisar cassá-lo", disse.   Renan está em sua residência e, pela manhã, recebeu os senadores José Sarney (AM), Wellington Salgado (MG) e o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB) isoladamente.       Entrave para CPMF   O entendimento do Senado é de que o governo não apoiará mais Renan, sobretudo pelo risco que ele passou a representar à aprovação da CPMF, segundo reportagem do Estado.   Segundo a senadora petista Ideli Salvatti (SC), tida como uma da últimas defensoras do senador no partido, a sessão da última terça-feira deixou um recado claro, que "só não entende quem não quer".   "A sessão foi um divisor de águas, emblemática. Com pequenas diferenças de tom, todos os senadores que se manifestaram, de praticamente todos os partidos, pediram a saída do senador Renan", afirmou Ideli.   O senador Demóstenes Torres confirmou o acordo da oposição para trancar a pauta se o caso Renan não se resolver até o início de novembro.   "O senador Renan tem de sair ou a partir do dia 2 de novembro a oposição se recusa a votar o que quer que seja sob a batuta do atual presidente do Congresso". frisou Demóstenes.     Novo relator   Na última  quarta, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) foi designado para relatar a terceira representação contra Renan  e anunciou que planeja apresentar seu parecer até o dia 2 de novembro, "mesmo que seja dia de Finados", e prometeu isenção, mesmo com sua posição favorável à saída de Renan da presidência do Senado. Neste processo, Renan é acusado de ter utilizado "laranjas" para a compra de duas emissoras de rádio e uma de TV em Alagoas.   "Vai ser um parecer técnico, embora eu já tenha pedido politicamente o afastamento do senador Renan da presidência", afirmou Peres a jornalistas. "São coisas diferentes. A minha posição como senador é uma, e como relator é outra."     O senador pedetista não descarta a possibilidade de chamar para depor o usineiro João Lira, desafeto de Renan e responsável pela denúncia que levou à representação.     Embora comprometido a ter seu parecer pronto até 2 de novembro, prazo em que a oposição promete obstruir todas as votações no Senado caso Renan não se afaste da presidência, Peres ainda conversará com o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP) para se inteirar das investigações já feitas. "Só posso começar nas oitivas quando receber todas as informações da corregedoria do Senado", disse Peres.   Processos   Ao todo, Renan foi alvo de  quatro processos no Conselho de Ética e pode responder a quinta, caso a Mesa Diretora decida encaminhar a representação.   No dia 12 de setembro, o  presidente do Senado foi absolvido da primeira denúncia contra ele, que o acusava  de ter despesas pessoais pagas por um lobista ligado à construtora Mendes Júnior.    A segunda representação  trata de suposto beneficiamento à cervejaria Schincariol, tem como relator o senador João Pedro (PT-AM).   Na última quarta, o senador Jéfferson Peres (PDT-AM) foi desigando para relatar o terceiro processo contra Renan, que o acusa de ter utilizado "laranjas" para comprar emissoras de rádio em Alagoas.   A quarta representação, sobre um esquema de arrecadação de dinheiro em ministérios comandados pelo PMDB, será relatada pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), fiel aliado de Renan.   O presidente do Congresso ainda pode responder a um quinto processo, que já está na Mesa do Senado, mas ainda não foi encaminhado para o Conselho de Ética.   Ele trata da denúncia de que Renan estaria por trás de um esquema de espionagem dos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).    

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