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Renan confronta petistas e compara Senado a ‘hospício’

Presidente do Senado diz ter atuado no STF para evitar que Gleisi fosse indiciada e afirma estar ‘constrangido’ com conduta de colegas

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2016 | 23h27

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), confrontou nesta sexta-feira, 26, a bancada de apoio da presidente afastada Dilma Rousseff ao afirmar que havia atuado para desfazer o indiciamento da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e de seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, no Supremo Tribunal Federal.

Ao usar a Lava Jato para constranger a senadora petista durante a segunda sessão do julgamento do impeachment, Renan exaltou os ânimos no plenário. “Ontem (anteontem), a senadora Gleisi chegou ao cúmulo de dizer que o Senado Federal não tinha moral para julgar a presidente da República. Eu não quero tocar fogo, não. Eu quero dizer que isso não pode acontecer. Como uma senadora pode fazer uma declaração dessa, exatamente uma senadora que há 30 dias o presidente do Senado Federal conseguiu, no Supremo Tribunal Federal, desfazer o seu indiciamento e do seu esposo?”, afirmou Renan.

A declaração ocorreu no momento em que ele tentava apaziguar os ânimos depois de mais uma briga entre os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Lindbergh Farias (PT-RJ), que trocaram xingamentos pelo segundo dia consecutivo.

Após o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, fazer uma pausa no julgamento, Renan pediu a palavra. Disse que estava “constrangido” com o comportamento dos colegas e que o Senado estava perdendo a chance de se afirmar como uma instituição representativa. “Vossa Excelência (Lewandowski) está sendo obrigado a presidir um julgamento em um hospício”, disse.

Segundo aliados de Renan, ele teria “perdido a cabeça” porque Gleisi o chamou de “mentiroso” e de “coisas impublicáveis”. Ela negou. O peemedebista também estaria incomodado com o tom da petista na véspera, quando ela disse que nenhum senador tinha moral para julgar Dilma. Outra declaração de Renan foi inspirada em Nelson Rodrigues. “Fico muito triste porque esta sessão é uma demonstração de que a burrice é infinita”, afirmou, evocando a máxima de que “a burrice é eterna”.

Almoço. A confusão fez Lewandowski interromper o julgamento para o almoço. No intervalo, Jorge Viana (PT-AC), vice-presidente da Casa, disse a Renan que a sessão correria com mais sobriedade. Já o presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), anunciou que os senadores da base de Temer não questionariam as testemunhas da defesa para acelerar o processo.

À tarde, as testemunhas da defesa começaram a ser ouvidas. O advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, tentou acordo para evitar a impugnação dos depoentes arrolados, mas o combinado não foi seguido por Janaina Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment.

‘Kit-explicação’. Por causa da confusão com Gleisi, Renan teve de atuar para afastar possível mal-estar com Lewandowski, já que a sua intervenção deu a impressão de que ele poderia interferir no andamento de processos que tramitam no STF.

A equipe de comunicação da presidência do Senado preparou um “kit-explicação” com documentos e uma nota dizendo que Renan se referiu a duas petições protocoladas pela Mesa Diretora no STF. “Trata-se de manifestação pública e institucional decorrente da operação de busca e apreensão realizada no imóvel funcional ocupado pela senadora Gleisi Hoffmann e do indiciamento da senadora pela Polícia Federal.”

Em abril, a PF enviou o indiciamento de Gleisi ao STF, mas a defesa da petista argumentou que a polícia não pode indiciar parlamentares. / FÁBIO FABRINI, ISADORA PERON, ISABELA BONFIM, IGOR GADELHA, JULIA LINDNER, RICARDO BRITO e BERNARDO CARAM

 

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