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Renan comanda resistência à renúncia de Sarney

Estratégia é pôr a tropa de choque do PMDB para se revezar no Senado e denunciar erros da oposição

Eugênia Lopes e Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo,

31 de julho de 2009 | 21h45

Decidido a comandar a resistência à possível renúncia do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ao cargo, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), resolveu esticar a corda e partir para cima da oposição. A estratégia é pôr a tropa de choque do PMDB para se revezar na tribuna do Senado, a partir desta segunda-feira, quando acaba o recesso parlamentar, denunciando ininterruptamente erros da oposição, em particular do líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM). No início da semana, o PMDB promete entrar com três a quatro representações contra o tucano no Conselho de Ética do Senado.

 

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O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) foi escolhido como porta-voz do clima de beligerância que tomará conta da Casa na volta do recesso. "Na atual conjuntura, não tem ninguém limpo no Senado. A ética que era praticada pelos senadores não é mais aceita pela sociedade. Isso tem de mudar. Agora, o que não pode é encontrarem apenas um boi de piranha para isso, um boi com bigode", afirmou Salgado, um dos integrantes da tropa de choque de Sarney e do líder do PMDB.

 

Renan adianta que vai se reunir com os líderes partidários para definir os próximos passos na crise do Senado. "Licença ou renúncia não estão nas intenções do presidente Sarney. Isso interessa apenas a setores da oposição e a um pequeno segmento da mídia", disse o líder do PMDB.

 

Uma das estratégias da tropa de choque peemedebista é tentar pôr todos os senadores no mesmo balaio, nivelando por baixo a conduta dos parlamentares. "Existe uma lista de senadores que praticaram atos fora do padrão", ameaça Salgado, sem nominar esses parlamentares.

 

Renan avalia que será o alvo do bombardeio da oposição se Sarney sair agora. Quer, por isso mesmo, esticar a corda até o limite para encontrar uma solução negociada. Em conversas reservadas, o líder do PMDB tem dito que, se os tucanos não recuarem no ataque a Sarney, "vai sobrar para todo mundo". A bancada do PMDB no Senado tem ordem para radicalizar a ofensiva contra quem quiser posar de "vestal".

 

Preocupações 

 

No comando da tropa de choque sarneyzista, Renan quer negociar um pacto de boa convivência no Senado. Acha que só nesse cenário de confronto, com a oposição também acuada, Sarney poderia renunciar. No diagnóstico dos aliados do presidente do Senado, sua saída, agora, poderia fragilizar ainda mais a base aliada.

 

Além disso, Sarney está preocupado com a artilharia apontada para sua família. Seu filho, Fernando Sarney, foi indiciado em quatro crimes pela Polícia Federal (lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, falsidade ideológica e tráfico de influência).

 

O presidente do Senado quer evitar o que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva chama de "show de pirotecnia" nas investigações da PF. A interlocutores mais próximos, Sarney disse temer que, caso renuncie à presidência do Senado, seu filho seja algemado e preso.

 

Para os peemedebistas, Lula não tem interesse na renúncia de Sarney. "O presidente já deixou claro que para o governo é ótimo o Sarney estar ali", observou Salgado. "O presidente Lula age com coerência e firmeza. Ele acerta ao dizer que o Senado é que tem de resolver", afirmou Renan, ao minimizar as declarações de Lula de que a possível renúncia de Sarney era um problema do Senado. "O problema é do Senado, não é realmente do presidente da República", completou Almeida Lima (PMDB-SE), outro integrante tropa de choque sarneyzista, que se revezará nos ataques à oposição a partir da semana que vem.

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