Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Renan cobra 'corte temporário' de metade de cargos em comissão do governo

Presidente do Senado citou corte de gastos na Casa para cobrar da presidente que ajuste fiscal também atinja setor público

RICARDO BRITO, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2015 | 19h01

Brasília Em mais um lance do dia em que tem dado uma série de estocadas no Executivo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu nesta quarta-feira, 25, um "corte temporário" de metade cargos em comissão existentes atualmente no governo Dilma Rousseff. O peemedebista argumenta que o ajuste fiscal anunciado pelo governo é "insuficiente" e cobrou que o setor público também promova cortes.

Renan Calheiros disse que o Senado realizou uma redução de 30% de cargos em comissão e conclamou o governo federal a suspender as nomeações de 50% desses postos durante o período mais agudo da atual crise econômica. Segundo ele, após a economia voltar a crescer e retomar o seu "curso natural", esses cargos voltariam a ser ocupados. Atualmente, existem cerca de 23 mil cargos em comissão no Poder Executivo federal.

"O setor público tem que dar uma demonstração que está pagando parte da conta. Se não houver isso, como você vai exigir da sociedade fazer um sacrifício?", questionou Renan Calheiros. "Aqui no Senado nós fizemos exatamente isso. Gastamos em 2014 menos do que em 2013. Acho que esse é um bom exemplo que poderia ser levado para o ajuste fiscal", completou.

De acordo com o Boletim Estatístico de Pessoal e Informações Organizacionais do Ministério do Planejamento de dezembro de 2014, último dado disponível divulgado, existem 22.993 cargos de Direção Assessoramento Superior, os chamados DAS. Esses são os principais cargos distribuídos pelos partidos políticos para apadrinhados em ministérios em Brasília e nos Estados.

O presidente do Senado também defendeu o corte de gastos em contratos no governo federal, assim como ele disse ter feito no Senado durante os dois anos anteriores da sua gestão, e cobrou, mais uma vez, uma participação mais ativa do PMDB na discussão das políticas públicas do governo Dilma. "O PMDB já tem cargos demais. O que precisa ter na coalizão são encargos", afirmou.

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