Renan cancela viagem e pode se licenciar até esta 6ª, diz rádio

Segundo a CBN, presidente do Senado, empecilho para a CPMF, quer buscar uma solução junto ao Planalto

11 de outubro de 2007 | 13h25

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), suspendeu uma viagem que faria nesta quinta-feira, 11, e convocou seus assessores para uma reunião nesta tarde, que discutiria uma possível licença do cargo até esta sexta-feira, segundo a rádio CBN.  Veja também:  Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  'Fora, Renan! no Congresso prevê abaixo-assinado e protestos  Um dos principais obstáculos para a aprovação da CPMF, o presidente do Senado quer fazer contatos com o Planalto para estudar uma solução , segundo a rádio. Segundo fontes que estiveram com Renan nesta tarde,  ele já teria pronto uma carta pedindo seu afastamento do cargo pelo prazo de 120 dias para tratar de interesses particulares. Renan está em sua residência.  Pela manhã, ele recebeu, isoladamente, os senadores José Sarney (AM), Wellington Salgado (MG) e o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB).  O entendimento do Senado é de que o governo não apoiará mais Renan, sobretudo pelo risco que ele passou a representar à aprovação da CPMF, segundo reportagem do Estado.  Segundo a senadora petista Ideli Salvatti (SC), tida como uma da últimas defensoras do senador no partido, a sessão da última terça-feira deixou um recado claro, que "só não entende quem não quer".  "A sessão foi um divisor de águas, emblemática. Com pequenas diferenças de tom, todos os senadores que se manifestaram, de praticamente todos os partidos, pediram a saída do senador Renan", afirmou Ideli.  O senador Demóstenes Torres confirmou o acordo da oposição para trancar a pauta se o caso Renan não se resolver até o início de novembro.  "O senador Renan tem de sair ou a partir do dia 2 de novembro a oposição se recusa a votar o que quer que seja sob a batuta do atual presidente do Congresso". frisou Demóstenes.   Novo relator Na última  quarta, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) foi designado para relatar a terceira representação contra Renan  e anunciou que planeja apresentar seu parecer até o dia 2 de novembro, "mesmo que seja dia de Finados", e prometeu isenção, mesmo com sua posição favorável à saída de Renan da presidência do Senado. Neste processo, Renan é acusado de ter utilizado "laranjas" para a compra de duas emissoras de rádio e uma de TV em Alagoas.  "Vai ser um parecer técnico, embora eu já tenha pedido politicamente o afastamento do senador Renan da presidência", afirmou Peres a jornalistas. "São coisas diferentes. A minha posição como senador é uma, e como relator é outra."   O senador pedetista não descarta a possibilidade de chamar para depor o usineiro João Lira, desafeto de Renan e responsável pela denúncia que levou à representação.   Embora comprometido a ter seu parecer pronto até 2 de novembro, prazo em que a oposição promete obstruir todas as votações no Senado caso Renan não se afaste da presidência, Peres ainda conversará com o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP) para se inteirar das investigações já feitas. "Só posso começar nas oitivas quando receber todas as informações da corregedoria do Senado", disse Peres.  Outros processos A segunda representação contra Renan, no Conselho de Ética, que trata de suposto beneficiamento à cervejaria Schincariol, tem como relator o senador João Pedro (PT-AM).  A quarta representação, sobre um esquema de arrecadação de dinheiro em ministérios comandados pelo PMDB, será relatada pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), fiel aliado de Renan.  O presidente do Congresso ainda pode responder a um quinto processo, que já está na Mesa do Senado, mas ainda não foi encaminhado para o Conselho de Ética.  Ele trata da denúncia de que Renan estaria por trás de um esquema de espionagem dos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).  (Colaboraram Rosa Costa e Vannildo Mendes, do Estadão) Texto atualizado às 15h50

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