Renan Calheiros se compara a coco e diz que só sai 'arrancado'

Apesar da perda de apoio da base aliada, o presidente do Senado não se mostra disposto a sair do cargo

NATUZA NERY, REUTERS

10 Outubro 2007 | 19h18

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recorreu a metáforas para mostrar que apesar das pressões não está disposto a se licenciar do cargo para pôr fim à crise que ameaça a aprovação da CPMF. A colegas de função, comparou-se a um coco para ilustrar sua disposição em ficar.   Veja também:     Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  'Fora, Renan! no Congresso prevê abaixo-assinado e protestos  "Rapaz, para tirar o coco, não basta balançar o pé que ele não cai. Quem quiser, vai ter que subir no pé e retirar o coco com as próprias mãos", disse o presidente do Congresso a senadores aliados que estiveram com ele noite passada, horas depois de enfrentar a mais ampla reação em plenário desde o início da crise.   Renan  está no centro da crise há cinco meses. Ele está incomodado com as recentes deserções, mas, independentemente das baixas, não se mostra disposto a sair. A interlocutores, diz estar convencido de que a oposição e o PT querem o seu cargo. Se pedir uma licença de 120 dias, como prevê o regimento, dá como certa a traição. "Não tem espaço para a licença", disse Renan à Reuters nesta tarde.    Relação com Lula      Renan não conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a quinta-feira passada, mas faz elogios ao comportamento do presidente.  "Ele tem sido correto comigo", assegurou. Lula está preocupado com a votação da CPMF, enquanto o peemedebista faz chegar ao aliado a lógica do "ruim com ele, pior sem ele." Renan já provou que, apesar de enfraquecido, ainda exerce liderança no PMDB. Há duas semanas, influenciou parte da bancada a derrotar a medida provisória que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo para Mangabeira Unger. Caso seja abandonado pelo Palácio do Planalto, "mangabeiriza" a CPMF, argumentam senadores ligados a Renan. Abaixo-assinado Na tarde desta quarta-feira, parlamentares lançaram um movimento suprapartidário no salão verde da Câmara dos Deputados pelo afastamento imediato de Renan da presidência do Senado. O ato teve o apoio de quase 60 deputados e de 16 senadores, que na véspera jantaram na casa do deputado José Aníbal (PSDB-SP). "O cerco será total. Ele não tem mais como continuar, está inviabilizado", disse Aníbal. Também foi lançado um abaixo-assinado exigindo a saída do senador. "Numa situação dessas que estamos vivendo, Senado e Câmara são a mesma coisa. Todos nós, parlamentares, pertencemos ao Congresso Nacional. Não podemos fugir nem escapar deste compromisso", diz o texto do abaixo-assinado. O grupo promete realizar um ato toda quarta-feira até que o senador deixe o posto.        Processos   No dia 12 de setembro, Renan foi absolvido da primeira denúncia que pesava contra ele no Senado, na qual era acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista ligado à construtora Mendes Junior.   Além desta, Renan é alvo de mais três representações. A segunda trata de suposto beneficiamento à cervejaria Schincariol, tem como relator o senador João Pedro (PT-AM).   A terceira, que será relatada por Jéfferson Peres (PDT-AM), investiga se Renan seria dono oculto de duas emissoras de rádio em Alagoas.   A quarta representação, sobre um esquema de arrecadação de dinheiro em ministérios comandados pelo PMDB, será relatada pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), fiel aliado de Renan.   O presidente do Congresso ainda pode responder a um quinto processo, que já está na Mesa do Senado, mas ainda não foi encaminhado para o Conselho de Ética.   Ele trata da denúncia de que Renan estaria por trás de um esquema de espionagem dos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).

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