Renan Calheiros não se arrepende de bate-boca no plenário

Senador responsabilizou tucanos pelo episódio e afirmou que não se arrependeu do que disse a Jereissati

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 17h55

Um dia depois do bate-boca com Tasso Jereissati (PSDB-CE) no plenário do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) responsabilizou os tucanos pelo episódio e afirmou que não se arrependeu das palavras proferidas ao colega. "Não me arrependo, não. Como me arrepender se o cara provoca? Fica gritando, querendo botar as pessoas para fora do Senado. Fui provocado, reagi", afirmou Renan ao Estado. "É importante parar com as provocações. Por mais que você esteja preparado para não responder, na hora é difícil", disse ele.

 

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Renan evitou comentar a expressão "seu merda" usada por ele em referência a Tasso Jereissati durante a discussão. "Não quero falar sobre isso". O tucano acusa o peemedebista de quebra de decoro por ter usado palavra de baixo calão. Esse xingamento, porém, não aparece nas notas taquigráficas porque Renan o fez fora do microfone.

 

O senador alagoano alegou que o estopim para as agressões verbais trocadas com Tasso foi causado pelo PSDB nos últimos dias, ao pedir a saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. "O PSDB aumentou a tensão. Essas pessoas que não têm hábito de conversa têm de aguardar um pouco as conversações. A partidarização não ajuda na solução da crise. O Arthur Virgílio chegou ao cúmulo de dizer que, para fazer uma crítica a ele seria preciso trazer um homem da China. O PMDB ouviu suas bravatas. É preciso parar com as provocações", afirmou.

 

Preocupado com a repercussão negativa da confusão, o líder do PMDB adotou também um discurso de conciliação. "Sou um conciliador por natureza", disse. "É preciso baixar a temperatura, desaquecer. O estado de espírito do PMDB é colaborar com a crise". Renan voltou a defender José Sarney. Para ele, o bate-boca com Tasso na quinta-feira não prejudicou a situação política do presidente do Senado. "A mídia estava dizendo que o Sarney iria renunciar, que a família queria que ele renunciasse. Está claro que ele não vai renunciar e vai ser absolvido pelo Conselho de Ética".

 

O líder do PMDB disse ainda que Sarney deveria dialogar com as lideranças partidárias para acalmar os ânimos a partir de segunda-feira. "O presidente Sarney deve fazer um novo chamamento para que as lideranças conversem. Acho que ele deveria fazer isso. É natural que as pessoas conversem entre si. O Senado sempre foi assim", disse.

 

A confusão na quinta-feira começou quando Tasso pediu que um visitante fosse retirado da tribuna de honra do plenário por tê-lo provocado. Irritado, Renan repudiou a atitude de Tasso. O tucano revidou e pediu para o colega "não apontar esse dedo sujo". O senador alagoano rebateu, lembrando que Tasso usou dinheiro do Senado para abastecer seu jatinho particular. A resposta para Renan foi a de que tinha suas despesas pagas por empreiteiros.

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