Renan Calheiros é reeleito presidente do Senado

Renan Calheiros (PMDB-AL) confirmou seu favoritismo e foi reeleito nesta quinta-feira presidente do Senado Federal, por mais dois anos. O candidato era apoiado pelo governo e venceu o adversário José Agripino Maia (PFL-RN) por 51 votos a 28. Houve apenas um voto em branco. Os dois senadores acompanharam a apuração lado a lado e, ao término, se abraçaram. Durante o discurso de posse, Renan disse que a prioridade em seu segundo mandato será o fortalecimento do Legislativo. Ele destacou que quer a independência do Legislativo e uma interação cada vez maior do Poder com a sociedade, para que o Congresso cumpra o seu papel na democracia. O senador atribuiu sua vitória à boa relação pessoal que sempre cultivou com os colegas. "A decisão foi em função do afeto e do respeito que sempre colhi e dei aos meus companheiros. Na vida o efetivo é o afeto", afirmou. Segundo ele, a relação com o governo continuará a mesma dos últimos anos. "O Congresso é um poder autônomo, independente. Terei como presidente uma relação institucional que sempre tive com o governo, em igualdade de condição e respeito". Ele disse que vai se dedicar agora na busca de entendimento para a ocupação dos cargos da Mesa Diretora e cumprir na negociação um papel suprapartidário. "Aqui não há imposições porque somos todos iguais", discursou Renan depois da proclamação do resultado. Sua vitória sugere que conseguiu votos da oposição (PFL e PMDB) prometidos a Agripino. O líder do PFL esperava receber todos os 17 votos de seu partido e 12 do PSDB. O tucano João Tenório, de Alagoas, foi liberado para votar no conterrâneo Renan. Agripino esperava também os votos de Jarbas Vasconcelos (PE) e Mão Santa (PI), ambos do PMDB, e mais quatro no PMDB e no PDT. Na contagem final, Agripino teve sete votos a menos do que esperava. O líder havia sido advertido por colegas do PFL e do PSDB que sua candidatura seria uma "teimosia política", mas decidiu ir até o fim na disputa. Na tarde desta quinta-feira serão eleitos os outros dez membros da mesa do Senado. O PT formou um bloco com outros cinco partidos para reivindicar a primeira vice-presidência, posto que atualmente é do PFL. Medidas Em seu discurso antes do resultado da eleição, Renan afirmou que, durante sua gestão como presidente da Casa, as MPs chegaram a trancar 71% das sessões de votação, entre 2004 e 2006, situação que buscará mudar. Ele defendeu também a aprovação de uma reforma política com o dispositivo da fidelidade partidária. "Quem morreu no Brasil não foi a ética, o que apodreceu foi o nosso sistema político", declarou. Renan tentou ainda desvincular seu nome de qualquer interesse do governo federal. "Nunca é demasiado lembrar que não há democracia sem Congresso forte", disse. "A autonomia e a independência não são discurso, são prática". O senador lembrou que, durante sua gestão como presidente da Casa, foram abertas cinco CPIs. De acordo com ele, as investigações transcorreram sem atropelos e "sem nenhum tipo de ingerência interna ou externa". Por fim, afirmou que, durante sua gestão, a Mesa Diretora do Senado conseguiu fazer uma economia de R$ 70 milhões cortando gastos. Com Christiane Samarco Este texto foi ampliado às 15h13.

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