Renan Calheiros deverá ser o novo líder do PMDB em 2009

Liderança do senador faz parte de ofensiva para evitar disputa entre PT e PMDB na sucessão do Senado

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2008 | 20h19

O senador Renan Calheiros deverá ser o novo líder do PMDB em 2009. Uma ofensiva bem sucedida junto aos governadores peemedebistas, com o senador José Sarney (PMDB-AP) à frente das articulações de bastidor, já garantiu o apoio da maioria da bancada de senadores a Renan, exatos 14 meses depois de ele ter renunciado à presidência do Senado em meio a denúncias de corrupção.  A liderança faz parte do pacote com que a cúpula peemedebista e o Planalto trabalham para evitar disputa entre o PT e o PMDB na sucessão do Senado. Com Renan acomodado, sobram duas alternativa para o atual líder Valdir Raupp (RO): a primeira vice-presidência na chapa do candidato petista Tião Viana (AC), ou a liderança do governo no Congresso, no caso de Sarney assumir uma candidatura. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva programa uma reunião com a cúpula do PMDB dia 12 ou 13 de janeiro, para arrancar uma definição de Sarney. Ou o senador assume de vez que é candidato, ou libera a cadeira em definitivo para uma composição com o PT de Viana. Um dirigente peemedebista com trânsito no Planalto informa que Lula quer esclarecer o quadro. Argumenta que, na última conversa com Sarney, ouviu do senador que não seria candidato "em hipótese alguma".  A despeito da negativa, porém, seus correligionários seguem sustentando que ele é "candidatíssimo". Um interlocutor palaciano diz que, por isto mesmo, Lula pedirá à cúpula partidária que se manifeste e, se Sarney assumir o desejo de presidir o Senado, ficará "muito tranqüilo". Caso contrário, o presidente insistirá em um entendimento em torno de Tião Viana. Hoje, o cenário aponta para um confronto entre Viana e o atual presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que está em campanha aberta pela reeleição. Como a Constituição não permite o segundo mandato de presidente no curso da legislatura, o próprio Garibaldi admite que sua candidatura é duvidosa do ponto de vista jurídico. Mas pondera que assumiu um mandato tampão de pouco mais de um ano, com a renúncia de Renan, e não abre mão de sustentar seu nome como alternativa do PMDB na corrida sucessória. Quando pede voto aos partidários da candidatura Sarney, Garibaldi reconhece que a constitucionalidade de sua reeleição pode ser questionada, mas diz que já consultou Sarney e que este só sairá candidato à última hora, na hipótese de se confirmar um impedimento de natureza jurídica a seu nome. É por esta razão que senadores peemedebistas apontam Sarney como uma espécie de "reserva técnica" do PMDB. A aposta do PT é outra. A cúpula do partido está convencida de que a candidatura Garibaldi não tem viabilidade jurídica, nem política. Diz que ele não fechou o apoio da própria bancada e que a oposição rachou. Os tucanos prometeram apoiá-lo, mas o DEM não aceita a reeleição. Os petistas não afastam a possibilidade de recorrerem ao Supremo contra a reeleição, mas não acreditam que a candidatura do atual presidente chegue ao plenário. Também não crêem que Sarney saia candidato. Argumentam que o ex-presidente da República seria uma alternativa na hipótese de haver consenso, apenas para brecar qualquer iniciativa dele, afirmando que a candidatura de Viana está mantida e é irreversível. Foi na certeza de que Sarney não entrará em disputa com quem quer que seja, que a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), saiu de uma conversa com o presidente Lula, na segunda-feira, afirmando que Viana "vai para o voto" e que "está claro que o presidente Lula não apelará para que ele retire sua candidatura". O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é outro que avalia que Sarney não colocará seu nome. Jucá trabalha ostensivamente para eleger Viana, que também conta com o voto aberto de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). A avaliação geral é que o maior obstáculo a Tião Viana no PMDB é Renan Calheiros, que não o perdoa seu vice-presidente petista por ter levado adiante processos de cassação que, no entendimento do peemedebista, poderiam ter sido arquivados pela Mesa Diretora. Para sorte de Viana, Renan também não vê Garibaldi com bons olhos, já que este foi outro que votou por sua cassação. É para acalmar Renan que setores do Planalto e do Congresso trabalham para garantir que ele volte à liderança da bancada em fevereiro. A ofensiva em busca de assinaturas de apoio que garantam desde já sua eleição só foi adotada porque Raupp resistiu a abrir-lhe a vaga e anunciou que também era candidato. Para facilitar a composição, a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), colocou seu cargo à disposição do Planalto, lembrando que, em março, terá de se submeter a uma cirurgia para a retirada de um aneurisma no cérebro.

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